A Megalomania rubro-negra: o caminho mais complexo para a glória (com Fabiano Bandeira)

Enquanto em alguns clubes no país se pensa muito em novos nomes na janela de transferência, no Flamengo, além disso, a pauta é sempre em cima de um fator: dinheiro. Apesar de não ser o único clube com forte poderio econômico no Brasil hoje, na Gávea, antes do planejamento, a manchete é sempre algo em torno de “tantos milhões para gastar”. Antes de olhar para as posições que realmente necessita suprir, como as laterais, ou para a sua própria base, no Flamengo de 2019, tudo igual: “100 milhões para torrar com jogadores que incendeiem a torcida”.

Vitinho custou R$ 44 mi ao Fla, e pode ser superado como contratação mais cara da história do clube a qualquer momento. Foto: ACB da comunicação.

Com a contratação de Arrascaeta, o Flamengo chegará a quase 250 milhões de reais gastos com transações nos últimos três anos. Gabigo também chega à Gávea emprestado pela Inter de Milão, sem custos. No entanto, o Fla terá que arcar com todo o salário: 1,25 milhões de reais mensais. Seria o maior salário da folha? Talvez não. Há indícios de que o meia uruguaio pode ganhar ainda mais: um milhão e meio de reais por mês. Bruno Henrique, possivelmente reserva, também pode chegar por R$ 30 milhões e salário alto… vide Geuvânio, terceiro reserva que ganhava 600 mil mensais do rubro-negro até 2018.

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Arrascaeta pode custar ao Flamengo mais de 50 milhões de reais. Foto: UOL

É claro que isso uma hora pode dar resultado. Mas apesar de o jejum de títulos do rubro-negro carioca parecer ser questão de tempo, os últimos cinco anos parecem demonstrar que existem caminhos muito mais curtos – e econômicos – de alcançar a glória. Com planejamento, pontualidade  nas contratações e atenção devida às categorias de base, times brasileiros têm conseguido conquistar até mesmo o mundo sem gastar mais de 200 milhões de reais em contratações – quase a metade do valor total das dívidas do clube carioca, que gira em torno de R$ 430 milhões.

De lá pra cá 2013 para cá:

O Cruzeiro ganhou duas Copas do Brasil e dois brasileiros;

o Palmeiras faturou dois brasileiros e uma Copa do Brasil. Mesmo gastando muito, não chegou ao nível de investimento rubro-negro com transações. Inclusive, nessa atual janela, o alviverde gastou aproximadamente 50 milhões com quatro reforços jovens e pontuais que tenham durabilidade no clube, como Zé Rafael e Matheus Fernandes. O Fla pretende gastar o mesmo em apenas um jogador.

o Atlético Mineiro ganhou uma Libertadores e uma Copa do Brasil;

o Grêmio conquistou uma Copa do Brasil e uma Libertadores – tendo renascido esquecidos como Cortez, Cícero, Jael Bressan e Léo Moura –  os dois últimos ex-fla, e o último, hoje, talvez fosse titular na lateral-direita do Flamengo.

Renegados gremistas fazem a festa com a taça da América: na foto, além de Cortez, os ex-rubro-negros Bressan e Léo Moura comemoram. Foto: RTP Notícias

O Corinthians ganhou dois Brasileiros, após levantar a América e o mundo em 2012 – um deles com um modestíssimo time em 2017.

Até o Athletico Paranaense sagrou-se campeão sul-americano em 2018.

Isso sem contar as Recopas. Corinthians ganhou em 2013, o Galo em 2014, e o Grêmio em 2018.

Vale lembrar: em 2017, quando o Flamengo mais se aproximou de títulos expressivos ao ser vice da Copa do Brasil é da Sul-americana, teve a prata da casa Paquetá como grande protagonista, marcando gol em ambas as decisões.

Em 2018, o mesmo Paquetá, desta vez ao lado da joia Vinicius Jr. puxou a responsa do time que, antes da Copa, liderava o brasileiro, avançara na Libertadores e vinha forte na Copa do Brasil. Ambos não custaram nada ao Flamengo, e tinham custo barato em relação aos badalados Diego, Everton Ribeiro, Henrique Dourado, Berrío – e até Geuvânio. Haja pressão depois de tanto dinheiro gasto! Coisa que, quem se planeja antes de gastar, não tem. E delicia o título ao invés de encará-lo como uma obrigação obsessiva. 

E aí? Vale seguir na megalomania para empolgar a torcida? Ou apostar de vez em um planejamento com o suficiente e que produza com eficiência e não grana? Qual caminho é mais fácil, apesar de ambos poderem dar certos no final? 

Eu teria a minha escolha.

Daniel Braune e Fabiano Bandeira

Este post tem 3 comentários

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