A última vez do mito na meta.

Oi, Jefferson. Eu de novo! O “cara aí” que você perguntou pro Doutor Sálvio quando viu meu primeiro texto ano passado. Haja palavra, né? Talvez bata com o tamanho da sua história que tanto gostamos. E haja história… de momentos vibrantes; às vezes mais murchos, outros um pouco desesperadores. Tudo nessa vida tem altos e… altos. Se tratando de Jefferson, os voos alçados para defender as bolas mais impossíveis sempre tiveram essa característica.

Jefferson é do tipo de goleiro que muda jogo. São centenas de defesas fenomenais. Fica difícil lembrar específicas. Cabeçada do Luís Fabiano, chute do Renato Abreu, bombardeios defendidos no Olímpico em luta por título, no Nilton Santos em dia comum, no Beira-Rio em risco de queda, na Vila Belmiro respirando por aparelhos. Em décadas, anos e situações diferentes. São dez anos de um camisa 1 que poderia vestir a dez. Que completava com maestria os outros dez em campo em épocas de bons times, e que valia ainda mais que os outros dez em times ruins. 

Falou em Jefferson, falou em pênalti. E não é que também fica difícil? Foram 19 aqui. É o dom de transformar nossa apreensão de um penal adversário em extravagância. Não tinha tempo ruim, nem adversário. Quando o negão esticava o pescoço, amigo… de Léo Rocha do Treze da Paraíba na bola a Messi, de Élvis do Santa Cruz a Juninho Pernambucano, Adriano Imperador, Petkovic… se tornou normal. Sua simplicidade fora de campo fazia qualquer jogo ser simples para você.

Até que tivemos que nos desacostumar um pouco. Só você sabe o que você passou naquele período tenso. Mas só você também sabe o quanto lutou para irmos tão bem até que você retornasse. Foi uma sementinha sua. Mais uma. Desde que chegou em 2004 para nos ajudar, voltou em 2009 para nos salvar e sacramentou o “fico” mais inesperado do mundo em 2015. Aquela sim foi a defesa do século. A defesa ao Botafogo inteiro, no maior “chute” já sofrido. A proteção vem do melhor goleiro capoeirista.

E como eu disse da última vez: se você nos fez Botafogo de novo, chegava o momento de te transformarmos em Jefferson mais uma vez. Só não esperávamos que fosse tão rápido. O que vimos contra o Galo naquela noite do dia 9 de julho de 2017 foi surreal. Eram quinze meses parado, e você me voltava fazendo milagres… e ainda por cima aprontou com nosso coração de novo, pegando pênalti. Não podia ser mais inesperado… ou podia. Fomos ingênuos. Você sempre mudou jogo. E naquele, acabamos empatando a partida no fim. Que energia foi aquela naquele pênalti… infelizmente o último – com letras garrafais.

Vi atentamente cada momento seu no treino aberto à torcida, antes do jogo contra o Corinthians. E não sei porque sigo ingênuo ao me impressionar contigo. Seu desempenho foi espetacular. Mas só você sabe tudo que passou por aqui.

Você sente que é hora de você tirar a camisa do Botafogo. Vai ser difícil não te ver mais esguio, com a gola alta no pescoço, batendo palmas e gritando igual um louco. A estrela solitária pode não ficar mais estampada na sua camisa. Mas talvez a gente ainda a encontre aí na sua cabeça. Mesmo com pouco cabelo você sempre gostou de desenhar nosso símbolo aí. Na alma, o facho de luz já toma conta de você. Por ter tudo a ver conosco. Em educação, simplicidade, entrega. A gente sabe que podia ter sido diferente em algumas coisas. Mas a sua postura você nunca perdeu.

Talvez nossa história seja parecida por uma simples frase: momentos ruins eu já vivi. Mas nunca parei de cantar. E esse fogo no meu peito… o resto, você já sabe. O clube que mais cedeu craques históricos à seleção tinha que ser sinônimo de um dos melhores goleiros do planeta nos últimos anos, e o primeiro alvinegro convocado a uma Copa no século.

E fica tranquilo. Tem um paraguaio muito parecido com seu jeitão quieto fora de campo, e que dentro dele faz jus à número 1 que sempre honrou. Vai cuidar dela muito bem – também com as bençãos de Flávio Tênius, que sempre te deu uma moral. Faz parte da sua história.

Mas antes, será da forma que sempre fizemos, pela última vez. Com você na meta, e nós com uma única meta: te ovacionar. Podia ser diferente, mas façamos nossa parte como sempre. O nosso sentimento ao menos, continua sendo. Diferente. Somos um só.

#ObrigadoJeff

Daniel Braune

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Daniel Braune

 

Imagens: Globo Esporte, Lancenet, Gazeta, Vitor Silva, Botafogo Digital, CBF TV.

Este post tem 4 comentários

  1. Eu com os olhos cheios de lagrimas, queria falar um pouco, de um cara que tem uma história gigante, falar sobre um cara super humilde, Jefferson, infelizmente não podemos pedir pra você ficar mais, porque o tempo que você ficou, você tornou história do Botafogo, se tornou mito, e tornou o Botafogo, em Botafogo novamente, mesma com oferta de Mila e outros times, você resolveu ficar, sabendo que estávamos prestes a cair, e oque você fez, você levantou, o astral e levantou o time, não não, nós sabemos que você não jogou sozinho, mais sabemos que você sempre foi o celebro o cabeça e o capitão do nosso Botafogo, faixa de capitão? Isso e guichê, mesmo sem faixa sempre foi e sempre será, nos botafoguense te respeitamos, e temos muito pra te agradecer, e com uma dor no coração, uma angústia forte do peito, e segunda com os olhos cheios de lágrimas, nos nos ter que dizer adeus, mais não um adeus definitivo, porque todos NOIS queremos, que você continue, nos ajudando na nossa caminhada, Jefferson palavras de um torcedor de 21 anos, obrigado por tudo que você fez pelo Botafogo!

  2. Muito bom o texto,irmão! Cheguei a me arrepiar

  3. Que texto esplêndido, Daniel! Estou em lágrimas de emoção, revivendo cada instante que vc relembrou! Nosso grande paredão! Mito a quem respeitamos e ovacionamos! Grande Jefferson! Muito obrigada por tudo que fez pelo Botafogo! Você é gigante! O ídolo do Glorioso! Saudações botafoguenses! Seja feliz, meu ídolo! Você enche de orgulho meu coração onde brilha a Estrela Solitária!

  4. Fantástico o texto. Parabéns, Daniel! Você conseguiu expressar tudo que queremos a esse grande jogador.

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