HORA DE ACORDAR

Custo a dormir. Vivendo o presente, lembrando o passado. O futuro já bate na porta e o meu medo é de que ele traga notícias trágicas.

Nada foi mais terrivelmente nostálgico que reviver o pesadelo de 2014 no mesmo lugar que amarguramos tudo naquele ano. Com uso dando errado, todos perdidos. 

Nas cadeiras, na beira, no campo, na meta, com ou sem a bola – e principalmente nas tribunas e cadeiras beneméritas. Vai tudo dando errado de forma tão frequente que o erro se torna “certo”. Sinônimo de comum, que acaba se transformando em “correto” por conformismo. Isso me amedronta. Eu não posso ver tudo acontecer de novo na minha frente e cruzar os braços a aceitar de novo. Seria melhor eu partir que viver para não agir.

A mudança é AGORA. O que? Nem eu sei. Afinal, é muita coisa. Mas o que tem que entregar na NOSSA cabeça é que o sinônimo de erro é ERRO. O erro não é normal. E se considerarmos assim, ele pode virar tragédia.

E essa seria a maior de todas. A que talvez sacramentasse o nosso lento fim. Eu prefiro agir de peito ferido que me deitar e esperar a morte. É meu dever. Meu, teu, dos jogadores, dos que estão nos bastidores. Do roupeiro, ao dobrar a roupa com mais carinho ao cara das redes sociais ao escolher com carinho as fotos. Do jogador ao acordar de manha determinado a se matar para melhorar, ao cartola, que vai se determinar a sentir, na pele, seus ancestrais fundadores do clube agindo lá de cima.

Do torcedor povão que ignora tantas décadas de dor para gritar o que nem mais pode ao organizado, que ignora a diferente farda do colega e enxerga apenas o que se tem em comum: A ESTRELA. É ELA que precisamos salvar. Ela tá se apagando cada vez mais dentro das quatro linhas em volta da pista olímpica.

Espantemos a PASSIVIDADE. O barco está afundando lentamente. Acionemos a sirene, comecemos a trabalhar pra erguer essa porra. Transformemos, por alguns meses, esse ódio em impulso. O “não aguento mais” pelo “aguenta que eu to contigo”. Xinguemos a quem mereça, xinguemos MUITO a quem deixou o BOTAFOGO “se tornar” isso. Mas sem que isso faça o barco afundar ainda mais. 

Virei a chave. 2014 não foi ontem. E nem pode ser o amanhã. É hora de fazer, o meu, pela sobrevivência daquilo que move a MINHA VIDA. Custo a dormir. E nem quero. Fechar os olhos não é opção agora.

 

Daniel Braune

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