O Botafogo só precisou ser ele mesmo

A garoa fina que caía no fim da tarde do Nilton Santos que desanimava virou um temporal. Se as ruas enchiam, o bar da Loucos incendiava. Metáfora ou não, era fogo. Todo mundo se imbuia de um espírito que ia ser necessário. Fora de campo, pra aguentar a ventania. Dentro dele, pra encarar um time argentino que vinha impressionando muita gente, e não perdia há alguns meses. 

O jogo pra começar e o temporal era absurdo. Há um tempo, o desânimo quanto ao comportamento da arquibancada do Botafogo: dividida e largada. Sempre atento ao jogo ou no celular por conta do blog, meu apoio na “voz” só diminuía. Mas essa chuva viria pra lavar. Mudar. Virar.

Em campo, um aguaceiro que fez um time apático se transformar num exército determinado a reverter seu quadro. Ao redor, uma torcida que tinha estampado, em cada rosto, o que era o Botafogo: do inferno, sempre achando um ponto positivo. Pra transformá-lo em paraíso em questão de segundos. Já dizia Sérgio Augusto. Ou o oito ou oitenta já decifrado por Armando Nogueira. As organizadas, que há alguns jogos cantando separadas e dividindo as arquibancadas, também pareciam atingidas por uma energia sobrenatural. Tava todo mundo junto.

Falando de mim, um Daniel Braune totalmente revigorado. A chuva me fazia guardar o celular na mochila, não ter de me concentrar em “parte tática” graças a um campo inundado, e eu sentia que era algum ser lá de cima me fazendo voltar a sentir o momento. Cantando pro nada, com as menores expectativas possíveis em um time limitado, esquecendo de todos os problemas que me deprimem diariamente. Eu só cantava e pulava como aquele moleque que foi empolgado ver um Botafogo e Friburguense há exatos três anos, em Nova Friburgo. Do mesmo jeito, debaixo de uma mesma chuva infernal, vivendo o inferno que é ser um botafoguense contra todas as adversidades do mundo.

E falando de passado, vi em um Érik a volta daquilo que não via há anos: um protagonista. Me dá a bola que eu resolvo. Uma verdadeira caralhada do meio da rua. A lá Dodô há dez anos. A lá Daniel Braune, o mais fominha possível nas peladas e jogos. Sempre arriscando, sem expectativa, pra ver no que vai dar. E as vezes da muito certo. Foi como pensou Érik. E resolveu. Na técnica e no talento que tem de sobra, na raça que esbanja junto a Jean, na volta por cima que vem dando em sua carreira junto com o Botafogo. Aos poucos, assim como eu me senti criança de novo nas arquibancadas inundadas, Érik vai se sentindo cada vez mais aquele Érik que encantou o país pelo Goiás como revelação do Brasileirão de 2015. 

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Foto: LANCE!

 

Resolveu mesmo. Os quase 10 mil presentes ganhavam a noite. E foda-se a chuva, a roupa úmida, as camisas que espremíamos no túnel pra secar. Ninguém tava ligando pro trabalho no dia seguinte. Nem pra como íamos voltar pra casa com ruas alagadas, queda de energia e árvores caídas pela cidade. A missão foi cumprida. A torcida que NUNCA abandonou na pior profetizava e conseguia o feito: temos que vencer.

Um Botafogo revigorado por ter sido Botafogo. Nada é mais Botafogo que uma vitória sobre um argentino imponente e tinindo tecnicamente, invicto há 17 partidas, depois de uma eliminação vexatória em penúltimo numa Taça Guanabara. Fomos a mescla do esquadrão Glorios

o, do alvinegro de Heleno e Carlito, do esquadrão de 60, do de Mauricio ao da década dourada de 90. Com Érik decisivo como Túlio, com a classe de Dodô. 

Agora, vida nova. Em todos os aspectos. Alma lavada por uma chuva pra revigorar a confiança dos jogadores revigorada, protagonizar do 11, salvar a torcida de uma desunião, e um Daniel Braune,  junto a milhares de botafoguenses, de um desânimo intenso. A muleta do Vitinho pro alto simbolizava tudo: um povo ferido concluira sua missão naquela noite. 

Bastou o Botafogo ser ele mesmo. E conseguiu. Escutando quem não te abandona na pior. Quem abandonou, já foi. E a partir de agora, hoje, temos que vencer. 

Daniel Braune

 

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Este post tem um comentário

  1. Que texto bacana, banhado da verve Alvinegra. É bom vê uma garotada renovando a escrita alvinegra de uma imprensa Recheada de outras cores futebolistas. E esse menino erick já começa a protagonizar a nova estrela solitária. Avante Fogão!

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