TERESÓPOLIS: 127 anos da terra de luz e de amor

Sabe como eu me sinto ao descer a serra do lugar de onde vim?

 

O sinal caiu na serra. Faz parte do ritual.

Eu conheço muitos lugares. Moro atualmente na cidade que é conhecida como a mais maravilhosa do planeta.

Já conheci alguns lugares nesse mundo se parar pra pensar. Nordeste, sul. Adiante ao norte, México e Estados Unidos.
Sou novo ainda. Talvez eu conheça mais lugares, mas o local abaixo não deixa de me fazer ter vontade de reverência-lo cada vez passo por ele.

É uma terapia visual. Acredite em mim. Você reflete automaticamente a vida através de um simples golpe de vista. Uma vala verde que dá vontade de se jogar a cada metro em que o ônibus desce a serra. A mata se abrindo aos poucos e seus olhos arregalando em sintonia. Ele vai partindo e você querendo ficar, esticando o pescoço pra poder observar o vão – ou a imensidão inexplicável que tem ali. Dá muita vontade de se jogar. Se o corpo dependesse da imaginação, eu já estava morto lá embaixo.

Você sente a grandeza em altura e alma, concreto e abstrato.

Quando me perguntarem o lugar mais bonito que já pisei, aponto pra esse canto no mapa. Toda a minha concepção de mundo terá influência dele. É parcial. 

Conhecerei mais mundos. Talvez eu conheça o mundo. Talvez abrace o mundo, quem sabe poder abrir um mapa e decifra-lo a dedos e contos. Mas o meu mundo é esse. E ele te deixa mal acostumado. É um vício. Por isso não prometo que essa é a última vez que perco o chão e venho escrever aqui. 

Deve ser por isso que a gente “desce” a serra. Você não acredita, perde o chão e cai no nível do mar.

O sinal voltou. De volta ao mundo normal.

É assim que se sente quem foi criado na terra de luz e de amor. Pode não ter nada, pode não ser nada, mas é o nosso nada, silencioso, estonteante, simples, puro, que se torna o nosso tudo ou nada. Tão bela, protegida e abençoada por uma pedra que comprova que, de cético, esse mundo não tem nada. 

 

Era impossível não lembrar. 127 anos. Da cidade que me projetou, que me ensinou a amar, sentir, ser atento ao que de mais simples temos, a amar o futebol da maneira mais romântica e louca. Bendito George March, que dara, também, o nome da minha querida escola.

 

O que la tem de mais? Nada. É bom que nem chegam perto! Tenho um ciúme danado da minha terra. Tenho tudo que preciso no Rio de Janeiro. Meu presente, meu futuro, minha vida. Mas meu passado me suga como um imã. Mal vejo a hora de voltar. Um dia. 

 

Abraços de Daniel Braune, ao lugar que mais amo nesse mundo: Teresópolis.

 

 

Comente!

Fechar Menu
%d blogueiros gostam disto: