13ª rodada: sacramenta-se a era do futebol coletivo

Rodada marca vitória dos coletivos Grêmio e Palmeiras sobre Flamengo e Palmeiras recheados de craques  

 Início de ano. Estamos em Janeiro e eu volto no tempo, sento ao seu lado numa mesa de bar e cravo: Corinthians vai brigar pelo título brasileiro. O Botafogo vai longe na Libertadores. Futebol bonito? O Grêmio terá o melhor a te apresentar.

Certamente as risadas estourariam. 

Os endinheirados Palmeiras e Flamengo brincavam de ostentar e traziam máquinas que pousavam em aeroportos já nos braços da galera. Era difícil acreditar em heroísmos épicos hollywoodianos.

Mas assim como no mundo do cinema, o cenário pode mudar. Se as séries que fogem ao clichê vêm tomando frente aos filmes e às mesmices, a história do “grande herói” também vem se dissolvendo no mundo do futebol: só o astro camisa 10 não resolve mais nada.

O futebol moderno que tanto enfatizam vira a curva em direção ao seu mais novo trajeto: o coletivo acima de tudo. Todos, do motorista ao carona, possuem papéis igualmente importantes no trajeto. Do um ao onze. Não há mais um só condutor.

 E além do carro, é importante conhecer em que estrada se está andando.

É o futebol aprofundado, assim como a metáfora da crônica e o seriado que você se desdobra para entender e se deliciar.

 Eu “erro” te dando a bola, pois sei que você vai errar e deixar brechas. E quando errar, eu vou acertar. Eu estudei as minhas peças, e as suas também. Uma por uma. Depois, quando você tentar invadir meu território, você não vai conseguir. Mas não, eu não coloquei um homem marcando o camisa 10 do seu time pra que ele não passe. Eu simplesmente armei quatro operários à frente dos seus armadores milionários. Ao invés de correr atrás do carro, eu opto por bloquear a pista. 

É assim que o Corinthians, a quarta força do futebol paulista, parecer ter uns quatro jogos a mais do que qualquer time. Inclusive que o rival verde, que com o “nó tático” de Carrille, fez do verde sobrar só a nota do dólar.

É a partir do estudo aprofundado e trabalho coletivo que o Grêmio, com Ramiro e Fernandinho onde se devia ter Éverton Ribeiro, Berrio ou Conca, bateu o Mengão na caríssima Ilha do Urubu. São os personagens principais virando coadjuvantes.

Só Deus, os roteiristas, o caminho da estrada e talvez Armando Nogueira sabem aonde vai parar o Botafogo de Jair Ventura. O patinho feio, formado por renegados de times de pequeno a médio porte, comandado por um “estagiário”. O rival rubro-negro, quatro vezes mais valioso em sua folha dourada, já parou há alguns meses na que era sua maior prioridade no ano.

Na rodada 13, o treze simboliza muito: vencem os operarios, os baratinhos, os azarões – ou novos sortudos. Não se sabe se o estereótipo será alterado pelos roteiristas. O mundo dá voltas. 

Daniel O. Braune

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