6 razões para a boa média de público do paulistão e a decepcionante média do carioca

As estatísticas sobre a presença dos torcedores nas arquibancadas dos estaduais chamou a atenção. Enquanto, o campeonato paulista tem a maior média de público de todos os campeonatos disputados por equipes brasileiras – incluindo Copa do Brasil e Libertadores – o carioca é o décimo no ranking, atrás de campeonatos como o pernambucano e o baiano.

O São Paulo, clube que mais levou torcedores aos jogos neste ano, tem uma média de público de 32 mil torcedores por partida, número maior que o triplo de torcedores que o Botafogo, líder do ranking no Rio, que teve média de 9 mil torcedores.

Fluminense tem uma média inferior à do Botafogo de Ribeirão Preto.

Na média de ocupação de estádios, por incrível que pareça, o líder no Rio de Janeiro foi o Nova Iguaçu, que ocupou 51% da capacidade de seu estádio em cada partida.

Para completar, o maior público do carioca foi fora do rio. No empate em 2×2 entre Flamengo e Vasco, 40 mil pessoas foram ao estádio Mané Garrincha, em Brasília.

Sim, os números e observações assustam. No entanto, alguns fatores e números precisam ser analisados.

1- Tradição, pioneirismo e economia: futebol e desenvolvimento começam em São Paulo

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Praça Charles Miller ao lado do estádio do Pacaembu. Nome é dado em homangem ao inglês que trouxe ao Brasil a primeira bola de futebol

Embora o futebol seja a principal paixão do povo carioca, o pioneirismo põe São Paulo à frente de qualquer outro estado. Talvez por sempre ter sido o principal polo econômico e urbano do país, a capital paulista conheceu o futebol fim do século XIX, antes do que em qualquer outro lugar.

2- Qualidade: os pequenos paulistas com grandes feitos

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À direita, jogadores do Ituano comemoram a conquista do paulistão de 2014; à esquerda, o Paulista de Jundiaí conquista o Brasil em 2005

A diferença técnica entre equipes pequenas de Rio e São Paulo é enorme. Isso qualifica até mesmo os jogos de menor importância, já que é muito mais comum equipes pequenas surpreenderem os gigantes em São Paulo que no Rio. Isso estimula o público a ir ao estádio, já que a vitória não é “garantida” como em muitas partidas do estadual no Rio. Não à toa, clubes como São Caetano, Santo André e Paulista de Jundiaí montaram timaços que  encantaram o país e desbancaram muitos gigantes, conquistando títulos nacionais e realizando feitos históricos. Recentemente, o Ituano foi campeão paulista, e a Ponte Preta chegou às semifinais neste ano.

3- Cultura de arquibancada de clubes do interior: fanatismo de gente grande no interior paulista

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Ferroviária e seu apaixonado décimo segundo jogador: Araracuara para em dias de jogo

No Rio, os clubes pequenos são de bairros ou distritos na região metropolitana do estado, e alguns localizam-se em outras regiões do estado. Nenhum destes clubes possuem torcidas similares à de clubes grandes em características e comportamento. No Rio, são raros os torcedores que torcem, apenas, por clubes como o Bangu e o Madureira. Geralmente, quem acompanha os pequenos do Rio são pessoas que vive próxima aos clubes, mas que têm um  grande do Rio como o principal clube do coração.

Já em São Paulo, vários clubes do interior têm movimentos e torcidas fanáticas, como Ponte Preta, Guarani, Ferroviária e Botafogo. Boa parte dos torcedores tratam esses como os seus únicos clubes de coração, e tratam os grandes da capital como rivais.

4- Estádios: São Paulo e suas Mega arenas X Rio com rixas e sem Maracanã

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São Paulo desfruta de moderníssimas arenas, enquanto o Rio amarga o abandono de seu palco mais amado. Dupla FlaFlu jogou diversas vezes em Bangu este ano

O Palmeiras tem o Allianz Parque, reforma moderníssima no antigo estádio Palestra Itália; o Timão manda seus jogos em Itaquera, na moderna arena que leva o nome do clube, utilizada na Copa do Mundo de 2014, com capacidade para mais de 40 mil pessoas; o São Paulo manda seus jogos no Morumbi, que cabem mais de 60 mil torcedores; ademais, os paulistanos ainda se dão ao luxo de ter o Pacaembu como um “estádio reserva” aos times grandes.

No Rio, a ausência do Maracanã deixa Flamengo e Fluminense desabrigados, já que o Vasco e Botafogo não abrem precedentes aos rivais em São Januário ou no Estádio Nilton Santos por rixas entre as diretorias.

O Maracanã, maior, mais moderno e mais bem localizado estádio do Rio – que acumulou no século mais 14 bilhões de reais em reforma – não pode ser utilizado meses após a cidade ter sediado a maior competição esportiva do planeta, por questões burocráticas de quem o administra. Restou à dupla FlaFlu mandarem seus jogos em Moça Bonita, Raulino de Oliveira e Giulite Coutinho, estádios de difícil acesso com capacidade para menos de 10 mil pessoas. Isso explica o fato de os dois terem uma média de público baixa e mesmo assim uma das maiores médias de ocupação de lugares, e também o porquê do Fluminense ter obtido uma média inferior à do Botafogo de Ribeirão. Afinal, o clube paulista possui um estádio próprio.

5- Regulamentos: Rio abarrotado de clássicos inúteis em meio a decisões

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Morumbi lotado no Sõa Paulo x Corinthians com força máxima; Engenhão sequer abriu setores superiores para o confronto entre reservas de Botafogo e Fluminense

Enquanto a organização do campeonato paulista demonstra democratizar as decisões e dar mais chances aos clubes pequenos a chegar nas fases decisivas, o regulamento de FFERJ, aparentemente, parece focar no lucro na renda dos jogos – mesmo que poucos ainda assistam aos jogos nos estádios. Quando os públicos são ruins, o prejuízo é sempre dos clubes. A FFERJ recebe, com retorno das bilheterias, mais do que todos os clubes cariocas. Talvez por isso, o campeonato é abarrotado de clássicos sem importância alguma.

Neste ano, a Taça Rio, competição que há dez anos costumava definir um dos finalistas o carioca, hoje, não vale de absolutamente nada. As semifinais do campeonato carioca deste ano já estavam definidas antes mesmo da realização dos jogos decisivos Taça Rio que, mesmo assim, fez com que os rivais tivessem que pôr seus times em campo em meio a semanas de jogos importantíssimos na Libertadores e na Copa do Brasil.

Essa falta de importância dos clássicos cariocas resultou em decepcionantes números nas arquibancadas. Mesmo com um total de quinze clássicos disputados no carioca – quatro a mais que em São Paulo – a média de públicos em clássicos no Rio é pouco mais da metade da média do campeonato paulista – a maior média de clássicos em todo o Brasil, de 29 mil pessoas por partida.

Os clássicos cariocas, na maioria das vezes, ocorriam em semanas decisivas para os clubes cariocas em outras competições. O Botafogo, que jogou com o time reserva praticamente o campeonato inteiro para priorizar as decisões da pré-Libertadores e da fase de grupos, jogou metade dos clássicos com o time B, assim como o Fluminense, que deu preferência aos jogos da Copa do Brasil e da Sul-americana.

6- Preço: carioca paga mais e vê menos

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Botafoguenses presentes em Moça Bonita, Bangu, em tarde de chuva. Ingresso é ainda mais caro que o de modernos estádios em São Paulo

Mesmo com todas as dificuldades de acesso, jogos de má qualidade e o Maracanã ausente, o torcedor carioca paga, em média, 10 reais a mais por jogo que o torcedor paulista. O preço médio dos ingressos no Rio é de R$ 38,50, um dos mais caros do país, mesmo nos mais precários e mal localizados estádios.

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