A final de páginas heróicas, imortais – e sem final.

A final de campeonato é sinônimo de futebol. Não tem roteiro certo. O inimaginável pode ocorrer, ou até o mais previsível cenário. Ontem, foi um pouco dos dois. Os personagens Diego e Muralha explicam isso. 

Ela pode ser cruel ou apaixonante, paradisíaca ou infernal; no fim, ela é sempre inesquecível.

Afinal, é uma FINAL. Não é um fim. É nela que tudo NÃO termina. Só se imortaliza. 

Não vence sempre o time mais forte. Também não vence o mais organizado, tampouco o mais preparado do país. Vence o campeão. 

E essa é a graça de um torneio com A final. Onde não há “os jogos”, nem “os pontos”, ou “probabilidades”. Há um evento próprio. Um único mutilado de emoções e turbilhões de sentimentos voltados para um só lugar, ocasião e acontecimento. Resume-se: é uma copa. Se a do mundo é a melhor do planeta, não é necessário o que ela é no Brasil.

“O mais Justo”? E quem disse que o fator decisão ou se impor na hora certa não entra no quesito justiça? Só mesmo os que acham que justiça é ser campeão contra times que já estão de férias.

Sai vencedor não necessariamente o time mais bem postado, o que investe mais ou o que possui mais estrelas no time. 

É o que se posta melhor diante das circunstâncias; é aquele que, na grana, pode até investir só alguns cruzeiros que se dá bem caso tenha cabeça; é o que tem não só estrelas, mas constelações como guia. Nunca duvide da simbologia delas.

Muito se falou do Grêmio pela soberania; no Flamengo, pela badalação; no Botafogo, pelo romantismo; no Palmeiras, pela fartura. 

Falaram demais em gente banhada pelo mar. Mas esqueceram que, em uma tal terra sem litoral, o azul vem de outro lugar. Não falo do céu estrelado, nem dos rios e lagos. É muito mais que um mar.

Joaquim Osório não mentiu: resplandece a imagem do campeão. Da forma que foi, dá pra crer que estava escrito nas estrelas. Não as três marias, nem a solitária. O Cruzeiro do Sul resplandeceu. Se expandiu da primeira à última ponta no norte do país. 

Afinal, decifrou mais do que todos nesse país o que é o futebol, o que é uma final. Ambos NÃO se completam; são a mesma metade. Iguaizinhos. Logo, nunca tem UM final. As reticências estão simplesmente datilografadas na história do Mineirão, no 27 de setembro. Páginas heróicas e imortais.

Haja vaidade, sô! Afinal de contas, é o que faz uma final. É o grande campeão. 

Daniel Braune

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