A mística, o Mito e o Mistério  (Por José Passini)

Horas antes da bola rolar no Maracanã, eu havia dito no meu twitter, algo como: “Estou tão pessimista pra esse jogo que já estou dando a vitória como certa. Não entendeu? Pois é, só quem é Botafogo entende.” A repercussão daquilo foi rápida, mostrando que todo botafoguense estava na mesma vibração naquele dia.

A certeza de um vexame era tão grande que ja podiamos imaginar o Pimpão fazendo um aviãozinho no final do jogo, ou ate o Rabello imitando um general. Assim iniciou-se a mística noite de quarta feira.

Rolou a bola no Mário Filho. O cenário? O mesmo que estamos habituados a ver. De um lado, um grande número de flamenguistas olhavam pro gramado com a soberba de sempre. Do outro, 2 mil guerreiros gritavam apaixonadamente ao clube de coração.

Muitos nomes poderiam ser destacados naquela noite, mas só um poderia encarnar toda a vibração que vinha da arquibancada. Na noite em que Jefferson voltava a ser Jefferson, a torcida via diante dos seus olhos, o seu mito voltar. 445 jogos levando a estrela solitária no peito. Gratidão eterna ao nosso ídolo.

Se Jefferson voltava a ser Jefferson, Carli mostrava que nunca deixou de ser o xerife que conquistou os torcedores alvinegros. Numa partida impecável, o argentino mostrou que não pode sair do time. Como disse o amigo Thiago Pinheiro: “Mudem o esquema, não o Carli”.

Aposto que esse jogo não foi assistido só por nós. Do céu, Nilton Santos certamente abençoava a perna esquerda de Moisés. Numa partida memorável, o lateral fez questão de lembrar do ídolo alvinegro após a partida. Parecia agradecer pela ajudinha divina que lhe fora dada. Se no Maracanã tínhamos um mar vermelho, Moisés se inspirou na bíblia para abrir o caminho rumo à vitória.

E o que falar do Lindoso? Em noite de Gerson, o tão criticado volante acertou um passe primoroso pra Marcinho. É, o mesmo Marcinho que foi vaiado domingo, cruzou a bola com perfeição para Luis Fernando chapar pro gol. Cheirinho de redenção, de vitória, de clube que é gigante.

A torcida enlouqueceu. Apesar da proporção de 10 pra 1, o amor incondicional pelo Botafogo é algo que não se compara, não se copia. Não, vocês nunca serão assim. É tradição, não é moda. O Flamengo tinha 20 mil torcedores, o Botafogo tinha 2 mil doentes.

O que vai acontecer na final? Não sabemos. Mas temos a certeza que resultados como o de domingo passado, não voltarão. O Nilton Santos nos aguarda. Seja qual for o resultado, estamos prontos para sermos campeões de novo. O mistério está lançado.

Lutem por nós

José Passini

 

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