Acabou o caô! Guerrero decisivo: o protagonismo que a nação queria ver

Talvez por toda a badalação e empolgação exacerbada que caracteriza a torcida do Flamengo, Guerrero demorou um pouco para se tornar, no Rio, o que foi em São Paulo.

Em 2012, o peruano já chegou ao Corinthians marcando gol de título mundial e teve a melhor média de gols do time no ano, mesmo tendo chegado só no segundo semestre.
Virou sinônimo de gols, ídolo e uma verdadeira entidade, por ter protagonizado o momento mais importante da história do clube.

Chega ao Flamengo com o peso nas costas de repetir tudo o que havia feito no Corinthians em um clube que já não vence a Libertadores há quase trinta anos, e coleciona eliminações frustrantes e vexaminosas na competição neste século.

E não é qualquer clube. É daquele que tem a maior massa do planeta, algo que te infla de desejos, mas te sobrecarrega de responsabilidades.

Começou bem, mas foi decaindo e seu 2015 não foi bom. Aos poucos, no ano seguinte, foi evoluindo, marcou gols, mas a média ainda não era a mesma do Timão e ainda não se via o protagonismo de quem vestia uma camisa nove rubro-negra que, inclusive, só pôde ter o nome “Guerrero” estampado por um preço bem salgado.

E era notório o seu incômodo antes que este dia chegasse. Esbravejava quando perdia gols, se inquietava por não decidir, e até passava do ponto nos cartões, tamanho era o seu transtorno.

O protagonismo é concnretizado quando vemos que seus gols já possuem vinheta própria. Já se espera ouvir da voz marcante de Luís Roberto ao ver a rede banalnaçando após o chute de Guerrero: “o artilheiro dos jogos importantes”.

Artilheiro que já salvara o Flamengo de uma amarga derrota diante do Galo no ano passado; artilheiro que empatara um difícil jogo contra o Cruzeiro em Cariacica, fundamental para a sequência da briga pelo título nacional; mortal contra o rival Botafogo na semifinal do carioca; salvador da pátria na partida contra Universidad Católica, jogo que já se encaminhava para um fim de tom dramático, e que complicaria os capítulos da saga obsessiva pela América; AUTOR DO GOL DO TÍTULO Carioca – em Caps Lock mesmo, por se tratar de um Fla Flu, final que não acontecia há 22 anos. Período longo, tal como o do último artilheiro estrangeiro do campeonato, Doval, em 76 – tabu também quebrado por Paolo Guerrero.

Guerrero chegou ao Corinthians quebrando tabus. Um deles, o tão sonhado topo do planeta. Quem sabe a final desse carioca não seja a sequência, também, das tão sonhadas quebras de tabus rubro-negras?

Mas a mais importante delas foi a quebra do seu próprio Tabu. Voltou a ser Guerrero, seja em substantivo ou adjetivo; guerreiro das horas difíceis, que busca o jogo, não sossega ou se contenta até resolvê-lo e aliviar o seu povo na batalha; Guerrero que protagoniza, decide, é o herói da transição da tensão ao alívio, o verdadeiro homem bomba de uma massa rubro-negra, que incendeia após a flechada de um índio peruano.

Ser nove é isso. É decidir sempre, dar um jeito na situação, apagar o incêndio – ou até pôr fogo no jogo. É empatar um jogo desesperador, é sacramentar a vitória, quebrar recordes, ter seu nome repetido pelos narradores e impregná-lo na cabeça de torcedores fiéis e até mesmo de espectadores que mal veem futebol. “Esse tal de Guerrero faz gol toda hora, hein, filho?”

A favela volta a ter um herói, um homem que a faça soltar os fogos de artifício céu acima. Foi-se o tempo do xodó Obina, do Imperador Adriano, do Brocador Hernane. O guerreiro Paolo é, finalmente, mais que o artilheiro, o número nove, é o protagonista rubro-negro da vez.

Abs,
Daniel Braune

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