Acorda, Chapecoense!

E não abrevio pra "Chape" desta vez.  O apelido ficou desgastado, e o clube parece ter se acomodado nele. Tá na hora de dar devido respeito ao seu tamanho.

Desde aquela que foi a maior tragédia da história do futebol brasileiro, todas as vertentes possíveis direcionam-se contra o caminho trilhado pela Chapecoense. Mais de 20 contratações, elenco onde ninguém nunca havia trabalhado com ninguém, dificuldades econômicas, além do atípico clima mórbido. O que fazer? O mínimo: bravura e planejamento.

Esse segundo que já começa falho quando se contrata Vagner Mancini como treinador, tendo Levir Culpi se oferecendo a trabalhar gratuitamente pelo clube. 

E logo o Mancini. Pode ser implicância, mas não o vejo dando jeito sequer em um trabalho ruim, quem dirá numa terra devastada. É muito peso nas costas.

Vêm as primeiras competições: tudo um pouco na base do empurra. Mesmo com muita entrega, o time foi massacrado na final da Recopa e, mesmo levando o campeonato catarinense, não apresentou nenhuma evolução dentro de campo – e pelo visto isso se esparramou para fora das quatro linhas.

Mesmo com uma campanha fraquíssima até então na Libertadores, uma épica vitória sobre o campeão argentino fora de casa deixou a vaga e a consagração histórica de um clube devastado bem pertinho… não fosse o autor do gol. 

Luiz Otávio estava suspenso e não poderia entrar em campo. Vitória dada ao Lanús nos tribunais e o carimbo de adeus da Chape.

Porra, Chapecoense! Engolindo elefante e engasgando com mosquito? Campeã estadual, a ponto de arrancar uma vaga épica às oitavas da Libertadores na última rodada e você marca um gol contra desses? 

"Ah mas avisaram em cima da hora". E por que não impediram que o jogador entrasse em campo? 

Se o professor (Conmebol) mandou, meu amigo, fica quieto e obedece. E "eu sou a Chape" não pode ser mais um argumento.

Desde o início do ano a Chape perde não só para as situações e circunstâncias, mas para ela mesma. Pelo comando de Mancini, por optar por Arthur Moraes no gol tendo Elias no banco; por dizer que "não sabia" que um jogador estava suspenso por número de cartões amarelos.

Porra, não sabia? Quem não tem que saber sou eu, que vi o jogo e comemorei aquele gol salvador no finzinho que me deu a esperança de escrever uma crônica linda sobre mais uma flechada histórica. O que fazem os encarregados do clube para averiguar isso? Eles existem?

Tá na hora de voltar a ser Chapecoense, Chape. Esse negócio de "Chape" te deixou mal acostumada. Te passaram a mão na cabeça, fizeram do teu apelido o teu nome.

O teu nome é mais que Chape. É gigante não só pelo número de letras. C H A P E C O E N S E. Seu significado representa aqueles que vivem em sua terra. Que o honrem.

Não precisa honrar jogando bonito, dando resultado imediato. Ninguém vai te cobrar títulos após uma explosão que a leva à estaca zero. Só queremos que seja a quem aprendemos a amar e respeitar nos últimos anos; basta não tropeçar na própria perna. Se cair, que caia pelas suas limitações. Nesse caso, nós mesmos te levantaremos – coisa que sequer vem sendo necessária. Quatro pontos já foram ganhos contra dois gigantes paulistas nas duas primeiras rosadas do brasileiro – três deles contra o atual campeão.

Só não perca sua identidade: seu nome é Chapecoense.

Abraços,

Daniel Braune 

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