Hipocrisia talvez seja a palavra que mais bem defina toda a discussão que ronda o futebol por aqui.

Primeiro, a moda era dizer na imprensa que “o treinador brasileiro” não se atualizava. Clamavam por novos nomes, ressaltavam que não havia mais “opções no mercado”, e que “não há treinadores brasileiros na Europa”. Cravavam até uma tal superioridade dos treinadores argentinos, pela maior quantidade deles no continente europeu – sem ressaltar que o espanhol é muito mais falado que o português por lá.

Pois bem, mesmo com controvérsias, tais pedidos foram atendidos: treinadores passaram a estudar e se infiltrar no mundo científico da análise tática;
analistas do Brasil inteiro vêm ganhando prestígio e crescendo no mercado dos treinadores – tal como Jair Ventura;
alguns até mesmo vêm se aprimorando quanto à linguagem, fazendo cursos de inglês e espanhol – vide o técnico Roger Machado, hoje o no Galo;

O tão clamado futuro veio: dos vinte atuais treinadores da série, pelo menos NOVE ingressaram o mercado maior há alguns anos; dois deles iniciaram a carreira no ano passado; três, ainda esse ano.
O treinador mais estudioso, estratégico e ligado ás questões modelísticas do jogo se tornara a marca dos novos treinadores – dentre eles, Eduardo Baptista, o bode expiatório de toda essa história; vou explicar o porquê.

Outra regalia pedida pela imprensa era dar a oportunidade do trabalho a longo prazo aos treinadores, pelo “bem do futebol brasileiro”.
Não foram atendidos – nem por eles mesmos.

A incoerência da imprensa faz com que o discurso politicamente correto de buscar formas para a evolução do nosso futebol faz com que o próprio não progrida nunca. Da mesma forma que apedrejam teinadores por não se atualizarem e “clamam” para que clubes os deixem trabalhar, os mesmos começam a onda que desencadeia num tsunami, evitando qualquer evolução.

Por cliques e audiência, ao mesmo tempo que reclamam da impaciência de diretores e torcedores com os técnicos, desfrutam dessa impaciência ao fazer manchetes, matérias e postagens que inflam, no próprio torcedor, o sentimento de ira contra o trabalho do técnico e fazem com que o diretor os demita com dois meses de trabalho; consequeentemente, não há trabalho, não há novos nomes e não há a tão clamada evolução pelos próprios jornalistas.
Imprensa: você mesma se contadiz.

Por que as mesas redondas, ao invés de discutir sobre um amplo e vasto tópico que agrega o futebolem diferentes vertentes prioriza, sem pensar duas vezes, o tópico “quem vai cair?”

E foi assim que Baptista caiu do Palmeiras: 66,6% de aproveitamento, 14 vitórias, apenas 5 derrotas, liderança no Grupo da Libertadores e classificação às oitavas de final da competição encaminhada.

E aí começam as justificativas. O líder da libertadores com quatro vitórias na competição não teria “dado padrão” ao time. Sua “filosofia” – em apenas quatro meses- não deu certo. “Deu resultados, mas não convenceu, por isso caiu”. E quando convence, mas não mostra resultados? Cai também. O campo é minado, as paredes curtas que só tendem a te espremer.

Com essas circunstâncias e bombardeios, nem o mais “maleável” do planeta aguenta. Não há dureza ou mabeabilidade que resista a uma tsunami de um ciclo vicioso.
Jogam lixo nas ruas, chove, a cidade enche, e reclamam do político.

Muito prazer! Essa é a imprensa do futebol brasileiro. Hipócrita e contraditória – com muito orgulho.

E segue o roteiro! Próxima pauta: “reinadores de futebol não se qualificam”.

Abs,

Daniel Braune

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