Botafogo 2×1 Corinthians: estereótipo do jogo perfeito

O que aconteceu nesta segunda-feira é o estereótipo perfeito daquilo que queremos sempre. Curto e grosso. Em todos os aspectos.

Se impor diante do líder, na nossa casa, contra uma das maiores forças do continente nos últimos anos, um clube de São Paulo, é motivo para fazer não só o botafoguense olhar pra frente com confiança pra fazer tudo no dia seguinte, mas para todo o carioca também.

O que nosso jogadores fizeram representa mais que os três importantes pontos: é o que a gente gosta, conhece, e por isso cobra. Representa o Botafogo. Somos mal acostumados. Sempre fomos.

O torcedor do Botafogo precisa ser compreendido. Ele tem uma dependência de ser representado. E ele é diferente. É obvio que queremos conquistas, os três pontos e tudo que seja sinônimo de vitória. Mas no fundo o botafoguense quer tirar onda. Ele é acostumado a isso. Mimado até. Desde os primórdios. 

Já nos tempos de General Severiano, em que enchia-se a boca para falar que Heleno, o melhor jogador do mundo, carregava o nosso emblema no peito. Logo depois à ilógica sensação de dizer que um cara de pernas tortas, ao pisar no Maracanã, fazia o mundo parar. E, a partir dele, o mundo nunca mais girou igual. Ficou torto igual. A nossa cabeça também.

Afinal, queremos sempre mais. Somos berço do futebol arte. Didi, Garrincha, Nilton Santos, que tiveram como sucessores Gérson, Marinho, Jairzinho. Mendonça, mais tarde, nem precisou vencer nada pra se consagrar. Ele fez o que o botafoguense queria: fazer vítimas, estampar capas dos jornais, ser temido e se agigantar diante de grandes forças, fazer a imprensa local e não local enfatizar o nome do bairro da Zona Sul nos rádios.


Queremos andar de peito aberto, reluzindo a estrela estampada, que tem que brilhar sempre. Ao menos que esforcem-se para limpar o céu e deixá-la à mostra, pro mundo todo ver.
É ver o Marcos Vinicius entortando e humilhando o marcador adversário, o João Paulo dar aquela fatiada linda na bola pra inverter o jogo, o Brenner matando a bola no peito com confiança. Até mesmo o Carli dando porrada em quem tiver que dar e o Bruno Silva partindo pra cima de quem esteja falando demais. 

Que nos deem esse orgulho que sinto presente sempre. Vocês entenderam o recado. Esse grupo sabe bem o que é o Botafogo, e são gigantes por isso. Já havia dito que não se sabe o que tem de verdade nas estrelas. Resta nos encantar com elas.


Que mantenham a constância. Que se imponham sobre os “novos” gigantes, como costumavam fazer os antigos.

Joguem com a camisa. Ela tem poderes que vocês já estão conseguindo interpretar.

Pro botafoguense, se não for para encantar o mundo, não tá valendo. A gente sempre fez isso. Das mais diversas formas. No futebol-arte, no deboche, na raça, na vontade – e sempre nas grandes histórias. Deem sequência a elas. São vocês quem escrevem a continuação desta Bíblia sagrada.

É bonito ver a minha gente sorrindo de emoção. O Brasil inteiro nos saudando. De ponta a ponta. Apontando para a Estela sempre. Ela tem de chamar a atenção. Ela tem de brilhar.

A história continua.


Daniel Braune

Deixe uma resposta

Fechar Menu