Carta para Jefferson de Oliveira Galvão

Oi, Capitão! Tudo certo?

Eu sei como você tá se sentindo. Ansioso, apreensivo, receoso talvez.

Sabe por que eu sei, não é mesmo? Porque quando eu me senti assim, foi você quem me levantou. 

Quando me vi falido, destruído, sem chão, sem teto, rebaixado ao poço em 2014, você tava lá.

Lembra da partida que sacramentou a minha semi-morte contra o Santos? Você me defendia como se eu estivesse vivíssimo. Segurava minha mão, me arrastava pelo braço, fazia funcionar os aparelhos que me permitiam respirar. Minha mão estava gelada, meu corpo completamente pálido, o semblante destruído – você continuava lá.

Veio 2015, eu ainda adoecido, sem esperança de cura. Já me contentava com a sua partida, já preparava uma despedida sem remorsos, e você permaneceu. Não soltou a minha mão. Não pôs a camisa preta e branca pra lavar nunca. Disse que, se te fizemos ser Jefferson ao longo da vida, você nos faria ser Botafogo de novo.

Eis que, por ironia do destino – ou injustiça – você se fere e assiste, de longe, o meu renascimento, a minha volta por cima que tanto lutou para ver. E tudo isso que aconteceu nesses 13 meses em que não te vemos de tão perto, têm seu dedo, ou melhor, suas luvas – ou o seu coração. 

Palavrinhas à parte, só estou aqui pra dizer: sinta-se à vontade. Você não merece pressão. Estarei aqui pra te reverenciar só por vê-lo debaixo da minha meta de novo. 

Vou rezar pelo seu bem estar antes de mais nada. Vou vibrar quando você acertar, te aplaudir quando errar – e você vai errar. Muito provavelmente. E eu estarei aqui para aplaudi-lo e te fazer levantar, falhe quantas vezes falhar. Só não vou segurar as suas mãos. Quero muito depender das defesas delas novamente, como nos velhos tempos.

Entre, tente, erre, falhe, tropece. Se necessário, faça tudo de novo. Eu estarei te defendendo daqui. Até que você "volte" a ser Jefferson.

Vamos de braços dados. Como levantamos um ao outro em 2004; como te alçamos pro mundo desde 2009; como deu a vida e a profissão por nós em 2015.

Nós e você. Sempre lado a lado. Há sempre um novo começo. É hora de te recompensarmos com um, por todos os "começos" que abdicou em busca de um fim aqui. 

Mas esse fim não vai vir. Nem na tua morte. Somos um só. Eternamente. É hora de mostrarmos isso. 

Afinal, se você foi capaz de ignorar o mundo até voltarmos a ser o Botafogo que você conhecia, chegou a minha vez de te transformar em Jefferson de novo.

Sei que crê em Deus. Também rezarei para que ele, lá de cima, abençoe o meu Deus aqui na Terra.


Boa sorte, capitão. Amamos você. 


Daniel Braune – ou Botafogo.

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