Comprovado: honre as cores, e seu povo sempre aparece.

“Nos deem um motivo, uma única fagulha de esperança e a gente mostra pra eles do que essa torcida é capaz”.

A frase é do amigo Fábio Rocha, comentada em um post no perfil do Braunefogo, que divulga a venda antecipada de 30 mil ingressos para a partida contra o Nacional do Paraguai, pela 2ª fase da Copa Sul-Americana, dois dias antes da decisão. A carga total de ingressos disponíveis para o público é de 39.900.

A divulgação da parcial foi feita oficialmente pela Botafogo TV, através do capitão Joel Carli. O zagueiro foi o quinto jogador do elenco a convocar a torcida para a partida: ele, João Paulo, Ezequiel, Moisés e Jean tiveram a imagem utilizada para atrair o público através das redes sociais nesta semana, além do ídolo Maurício. O trabalho do marketing do clube em cima da partida tem sido intenso.

Abrimos a boca para criticar quando há isenção ou desleixo por parte da diretoria, como foi o caso da partida contra o Audax Italiano, mas temos que bater palmas quando o trabalho é bem feito. Parece que a administração do clube soube filtrar, de maneira positiva, a enxurrada de críticas no último jogo da Sula. A forma de tratar uma decisão no único torneio que temos possibilidade real de título na temporada vem sendo da maneira que deve ser.

Se na decisão em maio vimos uma divulgação murcha, zero promoções de ingressos e um vexaminoso veto de materiais de torcida por puro relaxamento do clube, desta vez, tudo ao contrário. Ingressos a 5 reais, liberação de instrumentos de torcida, engajamento intenso nas redes sociais, pontos de venda em diversas lojas até mesmo em outros municípios, além da abertura exclusiva de bilheterias no sábado, cinco dias antes do jogo.

A diretoria entendeu que mais valem mais de 30 mil pagando 10 reais que os mesmos 8 mil de sempre pagando 30 – ou até menos, levando em conta que os que frequentemente vão aos jogos são sócios. Com isso, o clube tem o retorno muito mais vantajoso na venda de alimentos,cerveja, copos e venda de roupas – além da melhora incondicional do apoio ao jogador. Só quem joga sabe o quanto influencia subir as escadas do estádio e ver uma multidão alucinada pra te empurrar.

Filas nos pontos de venda em plena terça à tarde, dentro e fora do Rio capital.

 

E disso nós mesmos sabemos, por tudo que fizemos no ano passado, e em outras centenas de oportunidades. E não vamos parar de fazer nunca. Basta o clube nos estender a mão. São 23 anos de decepções, o clube em crise, o time limitadíssimo, troca de trienador, situação complicada no campeonato brasileiro, quatro partidas sem vencer. Vê se a gente liga pra isso? Eram 15 mil antes do fim de semana. No domingo, no aniversário do clube, empate vexaminoso com o lanterna do campeonato, deixando os três pontos escaparem no último minuto.

Disseram que os ânimos para a quinta acabariam. Dois dias depois? Temos DOBRA no número de ingressos vendidos. Por que? Ninguém sabe. A gente só olha um pro outro e vai. Foda-se. Sempre foi assim. “Do nada”. Desde uma final de Copa do Brasil com 120 mil no Maracanã em 99 a uma 29ª rodada do campeonato brasileiro de 2009, contra o Avaí. 

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A inesperada invasão no dia 19 de outubro de 2009, contra o Avaí.

 

Parafraseio o icônico Zé Fogareiro: nunca julguem a torcida do Botafogo. Só nós sabemos aquilo que passamos – e reitero a conjugação do último verbo no presente. Passamos, e continuamos a passar. Da mesma forma que continuamos a trilhar o caminho rumo a Engenho de Dentro. Independente do contexto. A diretoria do Botafogo parece ter aprendido a falar a mesma língua do torcedor nesta partida. É isso que queremos: o tratamento que jogos grandes e decisivos merecem ter. Independente da fase, queremos nos sentir como somos: GIGANTES. E a forma de fazer isso é passar para nós que queremos sim abocanhar a América mais uma vez, como em 93.

Abram as portas e assobiem: a cachorrada aparece. Nossa torcida dá as caras quando o clube se comunica conosco. Somos cães. E temos como nosso melhor amigo o BOTAFOGO.

Nos deem a possibilidade que mostra quem somos. E, pela primeira vez, alguns jogadores recém chegados vão ter a oportunidade de verem quem somos de fato. Aos que chegaram agora, preparem-se: passarão a olhar pra essa camisa na hora de vesti-la de maneira diferente.

Estendam a mão, nos puxem com força e tua gente te erguerá. Basta honrar tuas cores.

 

Daniel Braune

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