Consciência AlviNEGRA

Mais respeito pro meu povo, mais Reis pretos, cheios de ouro.

A quem luta, a batalha é travada minuto a minuto em um país onde a diferenciação social pela cor é enraizada na cultura do último país a abolir a escravidão no ocidente. Dois pesos e duas medidas que uma vanguarda triste deixaram de legado ao longo de toda uma história. Instrumentos são necessários: o futebol é um deles. Para o botafoguense, exemplos não faltam.

Somos alviNEGROS. Somos Didi, o príncipe a ser aplaudido no continente colonizador e chamado de Mister Football após 1958.

Paulo César, rasgando os “bons costumes morais” de um Rio de Janeiro que o queria ver o oprimido, mas viu nascer PC Caju, com a cabeleira que encantou até Paris. Somos Jairzinho Furacão, Mauricio, Donizete.

Do pantera ao gato: Jefferson. Elasticidade de um felino no gol, a perseverança de outro fora das metas: mais de um leão por dia por ser negro. Era a necessidade de quem precisava agarrar mais que os outros, e que também precisara esperar para ter a oportunidade da vida na seleção de base. Lembram das palavras dele há um ano atrás?

– Eu tinha a oportunidade de disputar o Sul-Americano e o Pan-Americano pela (Seleção Brasileira) sub-20, na época peguei o Valinhos como treinador, me ajudou muito. No Mundial peguei o (Marcos) Paquetá, que também é um cara que sempre gostou do meu futebol. Na convocação para a sub-20, estava praticamente decretada quem seriam os goleiros: eu, Fernando Henrique (Fluminense) e Fabiano (Internacional). Quando saiu a convocação para a sub-20,na época ia ser em janeiro, eu estava certo que meu nome estava lá e, para minha surpresa, quando vi no jornal a convocação, meu nome não estava lá. Fiquei muito chateado, pensei “poxa, o que aconteceu? Um mês atrás estava tudo certo”. O pessoal viajou para o Mundial nos Emirados Árabes, mas na época em que eles foram, na fase de treinamentos, estavam tendo guerras (Iraque), ficaram duas semanas lá e cancelou o campeonato, que passou para o final de 2003 – comentou Jefferson, completando:

– Eu estava no banco do Max no Botafogo, na Série B, faltando um mês para a convocação eu nem estava esperando, então recebi uma ligação: “E aí, está preparado para voltar à Seleção? A gente ia te convocar lá atrás, só que a gente foi barrado, porque não poderia convocar goleiro negro.

– Tinha uma pessoa (dentro da CBF) que falou que não poderia convocar. Essa pessoa saiu e agora podemos fazer o que quisermos fazer – finalizou o goleiro, sem identificar o responsável pelo criminoso ato de racismo.

O que diferencia é o tamanho da luta. Para mim, um cara branco que admira a negritude, cabe a palavra do dia: CONSCIÊNCIA. De que o negro é o primeiro a ser visto com o olho torto na rua; mas é o último a arrumar um emprego. No futebol é diferente. Há mídia e visibilidade para demonstrarem seu potencial. Por de trás das câmeras, um apelo: CONSCIÊNCIA.

O dia da consciência negra a servir de reflexão sobre a voz que devemos entonar sempre. Como preto no branco. Em linhas paralelas. Em conjunto. Que quando mudadas as listras lá em 2014 de posição na camisa, ninguém notou. 

Somos alviNEGROS.

Daniel Braune

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