Croácia 3×0 Argentina: terra sem líder, facilmente é invadida. Acabaram os argumentos.

Em um momento de transformação intensa, o futebol faz as grandes potências da Copa do Mundo passarem sufoco – exceto a Argentina. Essa própria já cometeu o suicídio.

Vemos quando um grupo tropeça nas próprias pernas quando ele perde a essência do próprio substantivo anterior. Num futebol cada mais nivelado em detalhes e relances, atenção, foco e determinação coletiva são aspectos indispensáveis, até mesmo para as melhores seleções do planeta. É o que falta a uma à Argentina, seus soldados e Caballeros – e a quem deveria ser seu super herói.

Embora a Argentina não seja aquela que há vinte, trinta anos impunha respeito, é a própria Argentina de 2014, vice-campeã mundial no detalhe contra a poderosa Alemanha. De Messi, Di Maria, Aguero, Higuaín, Mascherano, Otamendi, Rojo, e que poderia ser também a de Mauro Icardi, um dos mais potentes centroavantes do planeta. É o que me faz crer que, embora não seja das melhores, não é uma geração ruim. Apenas mal explorada, administrada e, principalmente, liderada.

A corrupção da AFA é a mesma da CBF que, hoje com Tite, tem favoritismo incontestável. A falta de ideias táticas e organização coletiva de Jorge Sampaoli é uma situação semelhante à de Portugal, que chegou ao topo da Europa e vive o paraíso, comandada por Cristiano Ronaldo, que a protege de peito estufado.

O papel citado acima vocês sabem bem de quem deveria ser. Do mesmo que, apesar do talento incontestável, não o põe em prática – não necessariamente em termos técnicos, mas de comportamento. O mesmo Lionel que é o maior artilheiro da história da seleção, é o que isola um pênalti em uma decisão e vai aos microfones dizer que não defende mais as cores do país. O mesmo que acaba com o Equador na última e derradeira rodada das eliminatórias com o talento que tem, na Copa, entra em campo, assiste aos gols croatas e deixa o gramado de cabeça baixa, amedrontado, sem a liderança que deveria ter, independente da situação.

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Ao perder pênalti decisivo, atitude de Messi foi abandonar o barco.

 

Liderança é sinônimo de protagonismo – ainda mais a técnica. Talvez falte aos capitães “padrão”, os zagueirões e volantões brutos, justamente o talento, que às vezes os fazem falar demais e fazer pouco. Se você já tem a técnica, convencer e transmitir confiança a quem não tem se torna muito mais fácil. Basta querer.

Em campo, a omissão de Lionel Messi foi um dos fatores que escreveu mais um capítulo de uma das piores fases da história da seleção argentina – ainda que com uma base bem parecida com a do time que quase conquistou o mundo no Maracanã há quatro anos. Falta o ajuste. A gestão, o foco, e os “huevos” que Maradona tanto apontava do alto das arquibancadas. A Croácia mostrou ter tudo isso, mais Modric e Rakitic.

Acabaram os argumentos, ou melhor, as desculpas. Inclusive desrespeitosas a um país que, mesmo que através de falcatruas, tem dois títulos mundiais. Dizer que Messi “joga sozinho” é exagero. Dizer que a Argentina “não merece” Messi é viver em um mundo paralelo.

Não me entra na cabeça que um pai que cogita abandonar a casa com mãe e filhos no pior momento “joga sozinho” por sua família. Um soldado que assiste, omisso, o quartel em chamas, é “bom demais” para o exército. É beirar a contradição. E deixar de enxergar que, muita de suas atitudes – ou falta delas – fizeram a Argentina evoluir de uma equipe que jogava mal a uma verdadeira terra arrasada. Defender Messi nesse momento é cegar-se por um romantismo construído através do que Lionel faz com suas pernas, mas não com sua alma e coração. O futebol possui craques. A coroa só chega aos que viram lendas através das suas atitudes. Não há bode que justifique certas caracterizações.

A culpa não é toda de Messi. Mas talvez sua isenção por não ser o único culpado, ou a forma com a qual se esconde atrás dos advogados de seu talento e barcelonismo. Enquanto isso, a pulga dita por muitos como “inalcançável” começa a perder de vista um português incansável, que já o ultrapassou na corrida dos objetivos, pelos quais Cristiano é obcecado. Seu talento pode ser a base, mas seu combustível? A sua alma. Até quando não joga. Eis a diferença entre o que o destino tem desenhado para ambos.

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Na Eurocopa que conquistou, foi dessa forma que Cristiano motivou seus companheiros em disputa de pênalti. Craque já tem quatro gols em dois jogos na Copa – três sobre a Espanha.

 

E com isso, segue a Argentina em queda livre. Amém! Dessa vez não tem exército. A mão de Diós está bem longe. Nem a fé do Papa Francisco tem funcionado. Talvez a água batizada por lá tenha outro sentido… 

Daniel Braune

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