Dida: o penúltimo Rei rubro-negro

Desmerecidamente, a história do Flamengo nos anos 50/60 acaba caindo no esquecimento na memória de uma torcida tão enorme. Afinal, não tem como lembrar de Flamengo e não jogar todos os holofotes para os anos de 1980. Raul, Leandro, Júnior, Adílio, Andrade, Nunes e, obviamente, Zico, o maior jogador da história rubro-negra. 

Mas você sabe quem era a maior inspiração de Arthur Antunes Coimbra nos tempos de juventude?

Edvaldo Alves de Santa Rosa é o maior ídolo de Zico no futebol e no Flamengo. Natural de Maceió, nasceu em 16 de março de 1934, época em que o Flamengo não vinha bem das pernas. Parecia até coisa do destino mesmo. 

 

O início 

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Resultado de imagem para Dida CSA Dida vestido de azul e branco nos tempos de CSA

O menino nascido nos anos 30 iniciou sua trajetória no futebol no CSA de Alagoas. Por lá, consagrou-se tetracampeão estadual, de 1949 a 1952.

Em um jogo entre seleções estaduais na década de 50, foi observado por dirigentes cariocas. O Flamengo via em Dida a capacidade de suceder o craque Evaristo na meia-esquerda, que já se despedia do clube. Tiveram mais que isso.


Chegada ao Fla

Inicialmente, Dida foi integrado ao segundo quadro da equipe do Flamengo, em 1954, até receber sua primeira oportunidade. 

 

Primeiro jogo 

Resultado de imagem para Dida estreia flamengo Joel, Rubens, Índio, Dida e Babá: a linha de ataque do Flamengo na estreia do craque alagoano.

 

Estreou em um Flamengo e Vasco, num Maracanã lotado em 17 de outubro de 1954, válido pelo campeonato carioca. O Rubro-negro acabou vencendo por 2 a 1. Apesar de não ter feito gols, Dida já dava indícios do que viria a se tornar dali em diante. O desempenho do jogador foi descrito por Luiz Mendes após a partida:

 “O começo da vitória, portanto, teve inicio na manobra dos dois garotos. Um deles, o meia Dida, livrou-se do robusto Eli do Amparo, que parecia um Golias diante de um Davi, e meteu a bola na esquerda para a fuga de Bábá. (…) Apenas Eli continuou caçando Dida, e Dida como se fosse desconhecedor do nome, do prestígio e, até da condição de “scratchmam” do médio do Vasco, prosseguiu passando por Eli como se Eli não existisse”.

Dida ainda retornaria ao segundo quadro do Fla até que Evariato finalmente se despedisse, rumo ao Barcelona, em 1957. 


A consagração

Imagem relacionada Carrasco cruzmaltino: Dida pula para marcar um gols três gols que fez na tarde em que acabou com o Vasco no Maracanã. 

Aos poucos, a camisa 10 do Flamengo passaria a ser representada com extrema maestria. Uma das partidas mais marcantes foi uma goleada sobre o próprio Vasco, por 4 a 1 em que Dida marcou três gols.

“Lembro que eu e a família toda esperávamos umas seis semanas para ir ao cinema só pra ver o replay dos lances e gols do Dida. Esse jogo contra o Vasco foi um marco pra ele. Além dos três gols, deu um drible no Bellini que o deixou desconsertado” relembrou Edson, irmão de Dida, em entrevista ao site do Globo Esporte em 2014.

Dida encantaria a maior torcida do mundo pelos próximos seis anos, até 1963, realizando 357 jogos e marcando 264 gols, fora as assistências. O jogador tem a melhor média de gols da história do clube, com 0,7 por partida, uma marca impressionante pra quem atuou no clube por uma década – e nem atacante era. É o segundo maior artilheiro do clube, atrás, apenas, de seu maior fã.


Dida: o maior ídolo de Zico

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Zico era fã de Dida e se inspirava nele. Sempre deixou isso bem claro. Se hoje o Flamengo tem o Galinho como seu Rei, muito se deve ao craque alagoano:

– “Quem eu imitava quando criança era o Dida. O Dida era o 10 do Flamengo, por isso o meu carinho pela camisa 10. Eu queria ser como ele. Meu pai me contava que depois de pai e mãe, uma das primeiras palavras que eu disse na vida foi Dida. Me inspirava sempre nele e nos meus irmão na hora de jogar” – disse Zico em um programa na TV Globo em 2012.

“Uma coisa incrível passou a acontecer: eu já ídolo do Flamengo, sabia que o Dida trabalhava lá no Flamengo, nas categorias de base, mas tinha muita vergonha de conversar, de falar com ele. Às vezes, ficava lá no cantinho olhando para ele, vendo ele trabalhar. Sempre vi o Dida como um cara totalmente diferente na minha história” – revelou o Galinho, em entrevista ao Globo Esporte, há três anos.



Seleção brasileira

Resultado de imagem para dida seleção brasileira flamengo Dida (penúltimo agachado à direita) na foto da estreia da seleção campeã do mundo em 58

 

Dida fez parte do grupo campeão do mundo em 1958 na Suécia. Foi titular na partida de estreia do Brasil, na vitória por 3 a 0 sobre a Áustria. Acabou ficando no banco da segunda partida contra a Inglaterra por questões táticas e, a partir do terceiro jogo, tornou-se o reserva imediato do jovem Pelé, que não sairia mais do time após a partida contra a União Soviética. 

Apesar de poucas, o meia teve boas atuações com a amarelinha. Fez oito partidas, marcou cinco gols e deu seis assistências. Além disso, conquistou a tradicional Copa Roca em 1957, torneio entre Brasil e Argentina. 

Imagem relacionada Além de Pelé e Garrincha, Dida (penúltimo à direita), pousa para foto com os companheiros de clube Moacir e Zagallo.

 

Minutos finais

 O fim: a camisa alvirubra foi a última que o craque vestiu.

Depois do Flamengo, Edvaldo ainda passou pela Portuguesa antes de encerrar a carreira no Atlético Júnior de Barranquilla, da Colômbia. Trabalhou na comissão técnica do Flamengo e revelou alguns dos grandes nomes que foram campeões mundiais em 81 pelo clube.

Dida morreu aos faleceu em 17 de dezembro de 2002, aos 68 anos, vítima de insuficiência hepática e respiratória. Em 2004, seus restos mortais estiveram na iminência de serem retirados da sepultura no Cemitério São João Batista, por falta de pagamento por parte da diretoria do Flamengo.

 

Craque que foi, Diuda não teve o retorno financeiro nem de reconhecimento que fizera por merecer. Cabe a quem o conhece, reconhecer sua maestria – fazê-lo ser reconhecido. 

 1959: Em pé: Joubert, Fernando, Milton Copolino, Jadir, Dequinha e Jordan. Agachados: Luis Carlos, Moacir, Henrique, Dida e Babá.

 

Daniel O. Braune

#TunelDoTempo

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