Duas Cores: carta aberta a Daniel Braune e Ícaro Vinicius – por Danilo Julião

O dia um pouco parado ganhou sentido, gosto e energia após receber uma mensagem. Era uma carta aberta delo amigo Danilo Julião, seguidor do Braunefogo no Instagram.

Nossos olhos arregalam e  a mente te anima ao se deparar com o inesperado. E uma simples palavra define isso: realização. Talvez eu esperasse receber isso um dia. Ao iniciar minha trajetória no jornalismo, ao me imaginar no futuro falando de Botafogo, formando opiniões, inspirando mais novos, imaginando os meus ídolos – citados no texto – orgulhosos lá no céu.

2017 foi uma realização por completo. De frutos colhidos, de sonhos realizados diante dos meus olhos, de bençãos no momento certo. Saber que hoje, de certa forma, influencio e represento algo que rege a minha vida, em preto e branco. É o sonho de menino saindo do forno. E palavras como a de Danilo Julião fazem todas as minhas fichas desabarem, o arrepio dar as caras e os olhos brilharem – de lágrima – e de esperança em um 2019 de ainda mais crescimento para todos nós.

O Botafogo somos nós. O Braunefogo são vocês. Em conjunto. 

Segue a carta de Danilo Julião:

 

Duas cores.

Dedicado a Ícaro Vinícius e Daniel Braune.

Não é fácil ser botafoguense. Começando pelo fato de que, uma vez escolhido pela Estrela Solitária, você deve saber que sua vida não será fácil. Dez mil vão ficar de chacota e outros cem mil vão tentar fazer sua cabeça contra você. Mas você não vai se curvar diante da tentação ou mesmo da ostentação.

2018 foi um ano de teste para todos os corações alvinegros, isso eu nem preciso comentar. Se eu estivesse bem próximo, como certos amigos, talvez eu nem chegaria até dezembro. Foi susto atrás de susto. E acompanhando cada um desses sustos, encontrei duas figuras no meio de uma torcida de loucos que me fizeram entender o que é essa paixão. Claro, os mais velhos contaram com Carlito Rocha, Biriba, Nilton Santos, Heleno de Freitas e outros tantos na nossa gloriosa constelação de craques. Dentro de campo, perdemos nosso grande Jefferson, uma perda inestimável, mas que nos sirva de persistência para continuar lutando. Fora de campo, estamos bem servidos com grandes figuras, meio torcedores, meio jornalistas. Um deles, em especial, é uma lanterna, ou melhor, um fogareiro, no meio desse caminho de loucura apaixonante e plena.

Mas quero falar de dois jovens rapazes e loucos e botafoguenses e jogadores e jornalistas e tal.

O primeiro, dono de um sobrenome facilmente confundido com sobremesa, soa agudo, ferino e claro como a estrela. Poucas vezes ouvia análises tão lúcidas entre os jornalistas renomados que esse jovem rapaz pronunciou. Equilibrando-se entre a razão de mostrar os fatos e a emoção de falar de seu próprio time, fico me perguntando porque os jornalistas não aprendem com ele que o verdadeiro jornalismo não se faz de forma mecânica, mas oscilando entre a realidade e a magia dos fatos. @braunefogo mostra que a linha tênue existe mas podemos ter o melhor dessa dois mundos.

O segundo, literalmente, carrega um planeta nas costas e no coração. Privilegiando e fazendo jus ao verso que diz: “noutros esportes tua fibra está presente” (mesmo que, neste ano, a fibra tenha faltado mais no futebol), é preciso ser um planeta para lembrar- nos do que realmente importa: o quanto somos apaixonados pelo Botafogo. A paixão ultrapassava qualquer resultado ruim ou risco de rebaixamento, mesmo que a conjuntura da tabela apontasse uma queda livre, a ponto de eu me questionar o que teria acontecido à minha própria paixão pelo Botafogo. E o @planetabotafogo estava lá nutrindo a paixão ou curando uma ressaca mor(t)al de quem quer ver o seu bem mais precioso brilhante. 

Conheci os dois nesse ano tão caótico e assim tentei homenageá-los. Claro, sem a retórica dos escritores e sem a magia dos jornalistas, mas tentei.

E que, em 2019, o branco e o negro sejam vivos e fortes ao abrigarem a estrela, que não é Dalva, mas brilha solitária no céu dos apaixonados.

 

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