Era só um João, mas a estrela brilhou (Por José Passini)

João veio do Nordeste há uns anos para tentar a vida no Rio de Janeiro. Chegou devagar, sem fazer alarde. João não veio ao Rio à passeio, nem veio buscando fama. Ele veio à cidade maravilhosa pois tinha o sonho de se tornar um dos melhores no que fazia. Para ele, isso valia muito mais do que dinheiro.

João batalhou, por muitas vezes deu seu sangue em seu trabalho. Em meio a tantas pessoas que ali trabalhavam, João se destacava por defender uma ideologia, um projeto, uma história. João não era a estrela daquele lugar e, apesar de ser um gaúcho que veio do Nordeste em busca do seu sonho, João adotava uma postura bem mineira. Enquanto muito se falava dos destaques daquele lugar, João “comia pelas beiradas”, buscando seu espaço. Enquanto seus amigos saiam na noite carioca, João ficava em casa se cuidando para dar o seu melhor no dia seguinte. Ele sabia o quanto significaria marcar seu nome naquele lugar.

Seus amigos foram, ele ficou. Enquanto o desconhecido João se tornava cada vez mais importante, seus amigos foram caindo um a um. Até o ex chefe de João que não sabia valorizar aquele lugar, caiu. E João ficou. João lutou. João foi reconhecido.

João já não era mais João há um tempo. Aquele menino que chegou do Nordeste sem fazer nenhum barulho, já era João Paulo, o cérebro do clube mais tradicional de seu país. João agora não era mais só João. Agora, era “O João”. Muita coisa mudou na vida de João, mas desde o começo, ele nunca deixou de se doar ao máximo para realizar seu sonho. A vontade de dar o sangue em campo era tanta que João ficou marcado pelas toucas de natação que usava durante os jogos, já que frequentemente cortava o supercílio enquanto defendia a estrela solitária. Irônico, não é? No clube da estrela solitária, brilhou a estrela de um João no meio de tantos. De  mais um homem que saiu do nordeste em busca de um sonho no Rio. Foi no clube da estrela solitária que João se sentiu membro de uma constelação.

No começo de sua jornada, João não tinha nada além de seu futebol. Hoje tem tudo, menos a chance de jogar futebol. Há uma frase de Roberto Shinyashiki, que diz: “Às vezes, os problemas são sinais de que chegou a hora do guerreiro iniciar uma nova batalha”. O que é seu, está guardado, João. Se tudo na vida tem um propósito, essa lesão não será diferente. Muitos vêem uma pedra no caminho e desistem. Você terá a ajuda de um elenco e de uma torcida de milhões de apaixonados para pegar essa pedra e transformar num castelo.

Lutem por nós. Lutem por ele.

Força, João.

Por: José Passini

Este post tem um comentário

  1. Lembrando que aqui no Nordeste ele é e sempre será ídolo da maior do norte nordeste , o mais querido Santa Cruz .

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