Eu quero a Argentina fora da Copa

Que me perdoem os mais sensíveis, os fãs de Messi e até mesmo os desocupados que nasceram aqui mas se dizem “fanáticos pela raça argentina”. Não tem como torcer pra ninguém de azul e branco amanhã.

“Ah mas o bom futebol…” o caralho. Como se um torneio com Brasil, Espanha, Itália, Alemanha, França e Bélgica não fosse de alto nível. E como se, também, o próprio futebolzinho apresentado pela Argentina durante todos estes quatro anos fosse digno de mundial.

“Ai mas sem Messi…” amigos, se nem O MESSI está levando uma seleção bicampeã mundial à Copa…

“Mas Messi joga sozinho…” ué? Mas até 2015 não era o Brasil que tinha a “safra ruim”? Não era, de acordo com “especialistas”, o time brasileiro que estava abaixo do nível de Chile e Colômbia? A soberania do continente não era argentina? 

É incrível como discursos mudam em busca de defesas a pátrias que não a nossa. No ano passado, cheguei a ouvir de um conceituado jornalista, em uma reunião de pauta de um importante veículo, que “deveríamos mesmo torcer muito para o Brasil nas olimpíadas, já que a gente não iria para a Copa de jeito nenhum”. Haja paradoxo. Se o mundo fosse um tribunal, o brasileiro seria o melhor advogado de defesa possível para gente de fora.

E Messi joga sozinho sim, é verdade. Só tem ele e alguns amigos imaginários: Di Maria, Dybala, Aguero, além do Higuaín. Aparecem nas miragens do Lionel. Bem que dizem que o cara é autista. Talvez eu também seja. Vejo uma cacetada de bom jogador ao lado dele em todo santo jogo. E você também via, quando a Argentina predominava antes da era Tite.

E se o Messi “joga sozinho”, imagine o Guerrero, que está a poucos passos de classificar o gigantesco Peru ao mundial de forma direta?

E tomara que classifique mesmo. Tomara que o 69 do Peru se repita. É no mesmo quarto de motel. A mesma cama. Diante da mesma companhia. Apague a luz e te prepara, Argentina!

São os mesmos que precisaram usar a força militar para desclassificar o Brasil, fazendo o Peru abrir as pernas, e vencer o primeiro mundial do país em 1978. Os mesmos que precisaram de uma mãozinha para se aproximar do bicampeonato em 1986. Os mesmos que veem, nesse gol de mão, o mais importante de sua história.

Os mesmos que precisaram dopar nossos jogadores para avançar na Copa de 90 – e que se orgulham disso. Seja através das gargalhadas de Maradona, ou dos cânticos em que seus torcedores esbanjam orgulho, aos berros. O Peru já até se previne. Haja anticoncepcional!

Comissão técnica peruana teme trapaça argentina. Não há espanto nisso

Mesmo assim, há quem os exalte por aqui. O brasileiro tem muita memória curta.

Não se lembram do escorraçamento aos jogadores do Internacional após a eliminação do Estudiantes em 2010; das tentativas de homicídio dos jogadores do Argentinos Juniors aos do Flu depois de perderem em 2012; ou o que os jogadores do Arsenal de Sarandí fizeram no vestiário do Independência, após levarem uma sapatada do Galo em 2013 – com direito a baile de Ronaldinho, um ícone do nosso futebol. Talvez isso tenha aumentado a ira.

Afinal, a raiva do Brasil é imensa. É o ódio de não terem 5 mundiais, de não serem a única seleção a participar a de todas as edições de Copa na história, de todos os nossos craques que o Maradona não passa nem perto no fim das contas. A vontade de querer ser amarelo é tanta que, a primeira coisa que o argentino faz ao lembrar de Maradona, é lembrar do Pelé logo em seguida.

Vai ser ótimo rir dos argentinos e dos brasileiros hinchas. E se meterem que “el sentimiento no puedes parar”, é mais motivo para o brasileiro raiz dar risada. Também será maravilhoso gargalhar dos comentaristas que disseram, após a primeira rodada das eliminatórias, há dois anos: “a derrota do Brasil para o Chile é pior que a da Argentina para o Equador, afinal, a Argentina já está na Copa”.

Perdoe-me o Messi que eu até admiro, o Sampaoli que pegou a bomba antes de explodir, e até a minha própria vontade de ver uma Copa com todos os grandes. Tudo isso desaparece quando eu penso na Argentina. Não tem como não lembrar de tudo que já fizeram. O gol de mão do Túlio foi pouco. O gol do Guerrero amanhã também será.

Eu quero os argentinos chorando. Os falso-brasileiros, também. Eu quero a Argentina fora da Copa.

 

Daniel Braune

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