Glórias em alto-mar (Por José Passini)

O final do ano de 2017 foi completamente atípico para o Vasco da Gama. Quem não se lembra da folclórica urna 7? O homem do charuto fez de tudo para que o grito de casaca continuasse ecoando na Colina histórica. A turma não era boa e num país cercado por corrupção, o sistema eleitoral visto no clube comandado por Eurico Miranda, não podia ser exemplo pra ninguém. Por mais que o grito não ecoe alto pelos lados de São Cristovão,  não dá para dizer que não é ouvido.

 

Nesse cenário conturbado, o Vasco foi herói. A torcida não via o Expresso da Vitoria em campo, mas deparava-se com uma equipe guerreira, comandada pelo treinador rejeitado pelo rival rico. O caldeirão que se fez na ultima rodada daquele Brasileirão de 2017, em São Januário, dava ao torcedor vascaíno a esperança de que bons ventos poderiam vir em 2018. Partia ali o navio vascaíno rumo à conquista da América.

 

Classificada para a Libertadores da América depois de 6 anos, a equipe da Cruz de Malta começou seu ano de 2018 animada. Pelo menos era isso que se via na torcida vascaína. Os bastidores do Gigante da Colina ainda eram bastante conturbados, mas a torcida apegava-se à superstição de, depois de conquistar a América em 48 e 98, poder conquistá-la novamente num ano terminado em 8.

 

O grande problema estava no comandante do barco que partiria naquele ano rumo à conquista do século para o clube. Sim, logo o clube que levava o nome de Vasco da Gama, grande navegador português, tinha como seu principal problema o presidente daquele navio. Campello chegou àquele cargo de forma nebulosa. Definitivamente não era da vontade dos milhões de apaixonados que ele assumisse o timão do navio vascaíno que rumava para conquista do continente.

 

Como era de se esperar, os problemas vieram. Os jogadores do Vasco começaram a debandar daquele navio. Enquanto as principais estrelas saiam um a um, brilhava a estrela de um estrangeiro no comando da embarcação. Os tripulantes tinham dificuldade de manter aquele navio na direção certa, mas Martin inspirava-se em Vasco para guiar seus amigos à glória eterna. Martin era Vasco na mesma proporção que Vasco era Martin. Se quem presidia aquele navio não atraia a simpatia da fanática nação que se manifestava fora de São Januario, Martin tratava de manter a essência e o espírito que haviam guiado aquela centenária equipe até aquele momento como um capitão, um Almirante.

 

No meio disso tudo, era difícil encontrar alegria naquele barco. A solução? Bom, ninguém melhor que chamar de volta um velho conhecido daquela tripulação. Tratava-se de Riascos, um colombiano que havia deixado o navio vascaíno há tempos atrás, contra sua vontade. Se não era o melhor tripulante no ataque aos inimigos, Riascos tinha a confiança daqueles que defendia.

 

O navio seguia em alto mar. Ao passar pelo Chile, a jovem tripulação fora ganhando confiança em si. Jovens de 17 e 19 anos, brilhavam na artilharia daquela embarcação. A cada vitoria, a multidão que ficava em terra começava a acreditar mais naquele distante sonho.

 

A batalha de Sucre, na Bolívia, foi conturbada. Muito se diz que naquela batalha em terreno hostil, a soberba tomou conta da inexperiente tripulação vascaína. Outros diziam que as condições encontradas naquele local, não eram favoráveis à equipe de guerreiros que defendiam a Cruz de Malta.

 

Fato é que, naquela batalha onde tudo parecia perdido, a estrela do Almirante Martin brilhou como nunca. Se tua imensa torcida bem feliz, sempre cantou que “tua estrela na terra a brilhar, ilumina o mar”, a estrela de Martin iluminou aquela equipe e botou o brilho nos olhos de cada um dos 7 milhões de apaixonados por aquele clube, por aquela historia e por aquela Cruz que cada vez mais se fazia imponente no peito dos humildes tripulantes daquele navio.

 

Como em toda historia épica, a jornada vascaína teve seus percalços. Apesar das épicas batalhas que eram desenhadas naquela aventura, O comandante Campello seguia a frente do Vasco e, seguindo os passos de seu antecessor, afundou o navio do Vasco num poço de dividas sem fim. Apesar de não haver uma nova debandada, a falta de salários para a tripulação fez ate Riascos, a calmaria no meio daquela tempestade, não comemorar um de seus tentos. A preocupação era nítida nos olhos dos torcedores. O brilho que Martin botou, Campello fez questão de apagar.

 

O bolso era vazio, a cabeça era cheia. Cheia de preocupações com o que seria do barco vascaíno naquele ano. Cheia de incertezas com a família daquela tripulação, que apesar de darem a vida duelando, voltavam para suas casas sem o pão para o jantar. A cabeça da torcida não era diferente. Cheia de medo de uma nova queda, de um novo naufrágio daquele centenário barco. Ao mesmo tempo, cheia de esperanças de uma vitoria improvável. Se liam a historia do Expresso da Vitoria, os torcedores imaginavam uma Navegação à Gloria Eterna.

 

Sonhe, torcedor vascaíno. O caminho é difícil, mas só se torna impossível se vocês não acreditarem. É possível se vocês quiserem que seja, como foi a vaga para a Libertadores de 2018.

 

Que a benção de Martin esteja com vocês.

 

Abs,

 

José Passini

 

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