Lucas vira Lucas na hora certa

O futebol é roteirizado por um verdadeiro louco. Seja lá quem ele for. Depois do que aconteceu ontem, todo mundo ligou a televisão sem duvidar de absolutamente nada. Se na semana passada todo mundo tendia a colocar o Ajax já na final, todo mundo se atentou a todas as possibilidades. Será?

O futebol nos fez relaxar um pouco. Dois gols do Ajax, e obviamente todo mundo imaginou uma final totalmente vermelha e branca. É aí que alguém lá em cima ri pra caralho. Ele já imagina a nossa reação no final.

Assim como a de quem protagoniza isso. O que ainda era Lucas há um ano atrás? Pois bem. Volto uns dez anos. Lucas não era nem Lucas. Era Marcelinho. Ao mudar do apelido para o nome, foi tomando espaço ao lado do nome de Neymar como grande promessa do futebol brasileiro. Bastava, então, o antigo Marcelinho “virar”, de fato, o Lucas.

Rumo à França, lembro-me de sua entrevista dizendo que gostaria de ser o melhor jogador do mundo. E aí o mundo cai em cima esperando seu insucesso pra desmerecê-lo. Que o ser humano é podre a gente já sabe. Em meio a um PSG com muito dinheiro mas sem ambição, Lucas não virou Lucas. Ainda não tinha virado.

Pra Inglaterra, a um time sem contratações milionárias, poucos deram atenção. Acontece que certas coisas se encaixam no momento certo, com os personagens certos a serem envolvidos no contexto. É aí que o Deus do futebol dá gargalhadas.

No jogo mais importante da vida de um Tottenham que há anos impressiona mas só bate na trave, surgem os 45 minutos mais importantes da vida de Lucas. Eis que “surge” o Lucas. Aquele Marcelinho que sempre foi o Lucas. E que tinha que entrelaçar seu destino a um Tottenham que também precisava mostrar quem era o Tottenham.

Na noite de hoje, Lucas ganhou o mundo. Não necessariamente de terno e gravata, segurando a Ballon D’or. Mas do jeito que o destino quis. Verdade, não era o que ele projetava. Assim como nenhum de nós projetaríamos um Lucas finalmente sendo Lucas. Ou um Tottenham sendo Tottenham. Nem mesmo até meia hora antes do jogo acabar.

Ao final do jogo, Lucas estava boquiaberto, com uma das mais a boca, olhando para cima. Era nítido que ele sentia um destino rindo de tudo. Um destino que projetara todas as frustrações para Tottenham e Lucas, mas que entrelaçariam o destino de ambos, e realizaria sonhos. Mas claro, não necessariamente do jeito que se espera. Assim, o roteiro ficaria muito chato…

O Tottenham está no céu antes mesmo de passar por Madrid. E o Lucas, o qual sempre fui fã, finalmente conquistou a bola de ouro. Mas um ouro muito mais valioso que o que ele pretendia conquistar… nada mais dourado que o improvável.

Na virada histórica do Tottenham. Na virada na vida do Lucas. Na virada do finalmente Lucas. Pelo finalista Tottenham.

Daniel Braune

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