O AMOR MAIS INCOMPARÁVEL DO MUNDO.

O que aconteceu na última quarta-feira me inspirou a escrever sobre a decisão deste domingo.

Ia ao ar no Fogo em Foco segunda, totalmente aéreo e desfocado. Meu desânimo era notório – isso até antes do Zé, como sempre, nos puxar da inércia e balançar a nossa mente. Antes da transmissão, ele olhou nos meus olhos pela câmera e disse: “triste sim, desanimado nunca, moleque. Levanta essa cabeça que essa tua casca grossa ainda vai aguentar muita dor!”. Foi das palavras da boca do meu amigo e ídolo que me tocaria da minha missão aqui nesse mundo.

No metrô, a caminho do estádio, eu, à paisana, ouvi um rubro-negro dizer a um amigo do meu lado: “cara, por que botafoguense ainda vem a esse jogo?”. Foi aí que eu abri um sorriso. A luz acendeu na minha cabeça. Tudo que o Zé me dissera na segunda se atrelava à fala infeliz e leiga do amigo da Gávea. Eu me enchia de confiança, abria minha mochila e, na hora, colocava a camisa do Botafogo, de peito estufado.

A gente sempre vai estar ali. Somos a pedra no sapato de quem ainda ousa em perguntar “aonde estamos”. Somos nós, os IRRACIONAIS, que em dois mil, gritamos mais que 20 mil leigos de certos clubes.

Foi comprovado que os dois mil que estiveram presentes contra o Flamengo não foram pra “torcer” pelo Botafogo. Nós somos ele próprio. A doença avançou e o estágio é incurável, sem vacinas ou anticorpos que nos curem – e sem contexto negativo que nos derrube. Decepções nos frustram, mas ao contrário dos ambientes normais, logo tudo vira mais combustível pra aguentar mais porrada, conosco berrando um “foda-se” do tamanho do mundo. A gente se importa é com o BOTAFOGO. A nossa paz é segundo plano.

O Botafogo é tudo aquilo que nos cerca, por sinônimo. É o nosso pai, que nos trilhou o rumo da vida, mas não aliviou e não nos tirou o nexo da realidade cruel do mundo; é o irmão mais novo, que vamos assistir jogar o torneio da escola, mesmo que não leve o menor jeito para aquilo; é até o nosso cachorro, com quem nunca trocamos palavras, mas temos amor incondicional.

É como foi dito no áudio que viralizou e tanto emocionou o forte Zé: o Botafogo é aquele amigo que vai pra mão com vinte, mas você entra pra defendê-lo encarando o bando inteiro, como se fosse você que estivesse em maioria.

Receosos, amedrontados, mas desabonados NUNCA. A cada decepção, tão comum em qualquer temporalidade de nossas vidas, o nosso vigor AUMENTA. A voz ecoa em dobro, as cordas vocais liberam o ódio e extravagância de tanto desabafo que infla nossa alma há décadas.

Meu palpite para a final? Eu não tenho. Não sou torcedor. Eu SOU o Botafogo. Eu jogo junto, eu viro jogo, eu estendo a mão quando ele cai, eu o impulsiono às escadas para evitar que ele se afogue.

Quando trajamos preto e branco, somos seres primitivos, irracionais, incapazes de passar em um teste psicotécnico. Não por incivilidade, mas porque, pra seres assim, o amor é prioridade. O amor que ninguém cala, a chama da paixão que nunca vai se apagar, o sangue que ferve pela estrela mais abstrata desse universo. Não há título, frustração, derrota, sofrimento que nos abale. Sofro há tanto tempo, ouço há tanto tempo, vejo muitos ficando para trás, e o nosso ego de amar o Botafogo inflando ainda mais.

Fomos dois mil doentes quarta, como disse o meu irmão José Passini. Que sejamos mais doentes ainda, em quantidade e qualidade, de domingo em diante. É a nossa marca. Estampada na testa, nos olhos em chamas e na alma. E quanto menos os leigos nos compreenderem, mais eu me apaixono.

Botafogo e Vasco, na nossa casa, às 16h. Esteja lá. Afinal, você joga. Você É o Botafogo. Independente do que possa acontecer. De peito aberto, estufado, extravasando melancolias, com a confiança contrária à nossa realidade. O por quê? Não importa. Esse é o nosso diferencial. Que outros continuem a desentender. Essa irracionalidade que não se compara.

 

Abs,

Daniel Braune

Este post tem 3 comentários

  1. Olá, Daniel!

    Botafoguense é um marco na vida e na história. Nascemos com imunidade, absoluta! Não há vírus ou mal algum que nos detenha.
    Somos tão somente, irracionais Botafoguenses.

    Parabéns, pelo ótimo texto, Daniel!

    Uma feliz e ótima Páscoa!
    Que venha a vitória gloriosa do Fogão.
    Jesus ressuscitou. O Botafogo, também!

  2. Preciso de pessoas assim que ame o Botafogo de qualquer maneira, passamos anos sofrendo e verdade mais existe ainda esperança de ver meu Botafogo campeão a vontade e grande de gritar pela uma bola roubada, um passe difícil certo, e principalmente gritar na hora do gol agora vou torcer mais do que nunca amanhã contra o vasco apoiando meu time glorioso até o final.

  3. Parabéns, Daniel! Também sou BOTAFOGO! Zé Fogareiro é um cara fantástico que nos contagia com todo aquele amor pelo Fogão e nos faz acreditar q é possível vencer mesmo qdo todos dizem o contrário! Qdo meus amigos dizem q sou louca, digo a eles q Fogão tem uma história linda no futebol, ídolos no passado e no presente, uma torcida apaixonada e é um time q se supera sempre, contra tudo e contra todos, nos dando alegrias apesar de não ganharmos títulos há tanto tempo. Agradeço a meu pai q me fez botafoguense e hj torço por ele também, que já não está mais neste plano. Sofri, sorri, chorei, gritei, pulei, endoidei e muitas emoções eu vivi com meu Fogão! Qro mais anos assim! E quero títulos pq o Fogão merece e nós também!

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