Por que não aprendem?

IMPOSSÍVEL: como os Deuses do futebol odeiam adjetivos taxativos. E os comentaristas esportivos e torcedores não aprendem.

Tentam maquia-lo com um “improvável”, que é uma forma mais delicada de dizer que não dá mais na frente de câmeras e microfones. Os Deuses escutam o que vocês dizem nas redações.

O sarro e a cara de desprezo quando poucos diziam que o Lanus não estava morto eram instantâneos nos rostos dos donos da verdade.

Nas mesas redondas, todo um discurso politicamente correto, de que ainda tinham ~mais noventa minutos~. Sem deixar passar o velho clichê de que tinha ~muita bola pra rolar~.

Entretanto, quarenta minutos dos programas faziam total menção a uma garantida final entre River e Grêmio, como análises, suposições e comparação das equipes. Alguns até afirmavam: “será uma final emocionante… se acontecer, claro” – completavam os comentaristas, quase que finalizando a frase com ponto sem o complemento.

Tarde demais. Quem cuida disso em algum lugar já havia se revirado. Todo o cenário foi esquematizado. Se vivos e não fossem abstratos, seriam os roteiristas Hollywoodianos do mais alto escalão.

Na introdução, uma vaga e curta cena que daria à trama o seu desencadeamento: árbitro de vídeo. Pela primeira vez usada, e, logo dessa vez, decisiva.

A história previa também é magnífica. Sand e Acosta, que já tinham feito história pelo clube antes, retornam ao Lanus na temporada, e vêm fazendo tudo que têm feito. O cenário não podia ser melhor.

Tem até super-herói. Os poderes físicos dados a Sand, de 37 anos, para percorrer o gramado inteiro por 90 minutos, dão um toque de ficção e sobrenatural ao que acontece.

Um toque de realismo no início, para fazerem os descrentes e pouco amantes e amadores do futebol desligarem a TV e ligarem o Netflix. Acorda, a trama mais louca está para ser desenrolada.

A virada acontece, o clichê do final feliz é inevitável, La Fortaleza é canonizada, e o suspense de uma suposta segunda temporada aumenta. Em Porto Alegre tem mais, outra probabilidade, outro impossível, outro “já está”. Nem sempre os Deuses aprontam. Mas não se surpreenda se algo acontecer. 1950 não foi ontem, meu amigo. A Mercosul de 2000 também não. Os brasileiros deveriam saber disso. Os comentaristas de Rio e São Paulo ainda mais.

Por favor, parem de duvidar do incerto, sacramentar contratos de gaveta, carimbar lenços umedecidos, dar furo em peneira de macarrão. Os que cuidam disso tudo que você ama e tanto agradece e vangloria diariamente odeiam troca de tempos verbais. São editores exigentes. Não troque o futuro pelo presente até que ele se torne. É a única regra.

Que aprendam de uma vez. Aliás, melhor não. Quero mais capítulos como esse. Abusem da leviandade. Só não reclamem depois. 

Continuem duvidando Deles. Substantivo próprio mesmo. São Eles que fazem acontecer.

 

Daniel Braune

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