Porque eu NÃO venderia Vinícius Jr nem pensando dez vezes

A memória fica curta na mente do brasileiro quando se fala em valores astronômicos.

Os números arregalam os olhos. Vinícius Junior, promissora joia da base do Flamengo e apontado como um dos grandes craques da próxima safra brasileira, recebeu, recentemente, uma proposta de R$ 157 milhões para deixar o Rio em embarcar na Espanha com apenas 17 anos.

"Daniel, você é retardado? Você sabe o que são 157 milhões?". Infelizmente não. Mas tenho noção do que pode significar.
"Ah, você vai vir com aquele papinho de amor ao clube. Me poupe!".
Também acho isso importante, mas prefiro bater em outra tecla. E se eu dissesse que essa quantia pode se tornar ainda maior se Vinícius Junior permanecer na Gávea?

Quando digo que a memória do brasileiro é curta, relembro do nosso maior craque na atualidade. Neymar – por coincidência também Junior – recusou inúmeras propostas tentadoras dos gigantes europeus antes mesmo de começar sua carreira profissional.

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Assim como dentro de campo, os números de Neymar nas finanças do clube são assustadores e enchem os gordos olhos de qualquer empresário. Quando explodiu em 2010, o jogador carregou consigo e seus companheiros daquele time o slogan "meninos da vila". O "boom" na economia do Santos foi notório. Novos patrocínios, parceiros econômicos, comerciais das grandes marcas mundiais envolvendo o nome do clube com base no clube que formava "meninos de ouro".

A partir deste ano, a marca Santos cresceu de maneira discrepante, não só em termos de equipe – a qual conquistou a Copa do Brasil de 2010 – mas especial para as cifras do clube.

Em quatro anos de clube, Neymar conseguiu simplesmente triplicar a economia santista. Se em 2009 o Santos teve uma receita de 70,4 milhões de reais, em 2012, contabilizando suas vendas de camisas, acordos comerciais e parceiros de olho na marca Neymar, a receita chegou a quase 200 milhões de reais em 2012; a Nike, fornecedora que patrocina o craque brasileiro, firmou contrato com o Santos em 2011, que perdurou até 2015.

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A publicidade envolvendo o nome do Santos cresceu em 181%;

De acordo com pesquisas, o Santos se beneficiou com receitas de mais de 13 patrocínios firmados com o craque no período em que o jogador atuou no clube.

Além disso, Neymar deixou um legado. Graças à sua marca, a torcida do Santos teve um absurdo crescimento de 20% de seu tamanho em apenas três anos e meio; suas camisas são vendidas até hoje Brasil à fora. A camisa do Santos com o nome de Neymar pode ser vista em todos os continentes do planeta.

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Em 2010, no seu primeiro ano como protagonista, Neymar recebeu uma proposta tentadora do Chelsea no valor de 53 milhões, e poderia ter deixado o clube sem ter feito tudo o que fez – e faz, indiretamente, até hoje por consequência de seus serviços prestados ao clube.

Isso chama-se visão de mercado – coisa muito valorizada lá fora.

 

Analise comigo: gigantes europeus contam com profissionais e empresários dispostos a investir com precisão em prol do retorno financeiro ao clube. Se o maior deles está disposto a pagar 157 milhões de reais por um menino de 17 anos, você consideram uma simples compra de um jogador? Ou concordam comigo que há todo um planejamento para dobrar e até triplicar todo esse investimento?

Vinícius Júnior é a mais promissora joia das categorias de base brasileiras na atualidade. Aos 16 anos, pintou o car@lh! Em uma Copinha que conta com jogadores três, quatro anos mais velhos que ele. Chegou no mundial sub-17 e brincou de jogar bola: campeão, artilheiro e craque do torneio, protagonizando lances que me deixaram tão boquiabertos quanto aqueles que eu via nos vídeos de Neymar nas categorias juvenis do Santos.

E vejam o que o Santos ganhou ao dizer não à primeira grande proposta ao seu craque; além de mais dinheiro, ganhou mais torcida, mercado e, de sobra, títulos – Neymar deu ao clube uma Copa do Brasil, três paulistas e o tão sonhado tri da Libertadores.

E estamos falando de Santos. Imagine no clube brasileiro mais conhecido fora do país? Imagine o retorno em camisas compradas tratando-se da maior torcida do mundo? Imagine os patrocínios e contratos de publicidade ao se tratar do clube mais exposto pela mídia nacional?

"Ah mas vai que não rende".
Tira essa síndrome de Adryan, Thomas e Diego Maurício da sua mente. Vinícius Junior não é badalação ou oba-oba como todos esses. Nós mesmos vemos com os próprios olhos.

"Ah mas e se ele se machuca e acaba a carreira dele".
Meu amigo, se for pra pensar assim, eu não saio de casa com medo de tomar um tiro ali do lado. E se for pra pensar assim dirigindo um gigante do futebol brasileiro, melhor fechar as portas do clube.

Não sei você, mas eu tenho a minha leitura. Eu consigo imaginar, como se fosse real, o quão colossal seria esse retorno. Pelo jogador, pelo clube e pelo momento em questão. Trata-se de um gênio, num clube de marca mundial, em um momento em que se "procura" por um novo Neymar.

"Ah eu vendia, é muito dinheiro".

Eu, louco que sou, rejeitaria esse dinheiro, não apenas por mais dinheiro, mas para fazer história e vê-la acontecer – para aí então vendê-lo por um preço, quem sabe, ainda maior. Preferiria eu pensar alto do que deixar o Real Madrid pensar. Afinal, Vinícius já disse que quer fazer sua história por aqui antes de bater as asas.

Abs,
Daniel Braune

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