Quem perdeu foi você, Jô

Na tarde de ontem, Jô ganhou um jogo. 

Jô fez o Corinthians colocar uma bola a mais na rede que o Vasco e somar mais três pontos em busca do título nacional. Mas só.

 

Antes de qualquer detalhamento, relembremos o que significa o ano de 2017 para Jô e Corinthians.

O time que há dois anos atrás era o dono do país, via seu elenco qualificado se desmantelar aos poucos, e a grana encurtar rapidamente. Se o apelido de “quarta força” ganhou ênfase antes do início da temporada, era mais por romantismo mesmo. Para boa parte, o Corinthians era a quinta força. Afinal, a Ponte Preta era dada como uma das favoritas ao título estadual antes do ano começar.

E o Jô, que chegou arrancando risos de canto de boca da imprensa, quando apareceu no Parque São Jorge vestindo preto e branco de novo? No que um ex-alcoólatra, fiasco na Copa, que ficou um ano e aproximadamente 2200 minutos sem marcar gols acrescentaria ao time mais feio do Estado?

Jô e Corintihians deram as mãos e foram juntos. A química deu certo. Combinava com o que era o clube do povo renegado. Campeão paulista batendo todos os rivais – com gol de Jô em todas as ocasiões. Na final, a “quarta força”, com aspas, derrotava a Ponte Preta, a verdadeira quarta força. 

No campeonato brasileiro, quem diria? Líder isolado, invicto no primeiro turno, com um futebol coletivo de dar inveja às três grandes forças de São Paulo – com Jô de artilheiro e peça chave. 

O cenário para Corinthians e Jô era perfeito em todos os aspectos. O time da superação, do conjunto e da coletividade, com jogadores simples que vinham calando o país inteiro – e um protagonista que ressurgia do fundo do poço, sempre com o discurso da humildade e a fidelidade a Deus na ponta da língua. Já se falava até no nome do sujeito na seleção.

 

Mas às vezes, o próprio Deus, tão querido e lembrado por Jô nas entrevistas, parece colocar mensagens em nossos caminhos de vez em quando.

Jô não captou a mensagem. Deu valor ao jogo e nada mais. Ignorou todo o ano do Corinthians e sua própria história. Jô nunca precisou disso, tampouco nesse ano tão especial. Exemplos não faltam pra saber o que é certo e errado nesses momentos. Rodrigo Caio que o diga – ou o próprio Jô que o diga. É só lembrar o discurso à desonestidade de Keno no clássico com o Palmeiras no início do ano.

 

O gol de mão mancha a trajetória do Corinthians e a própria reviravolta na vida de Jô. Põe em dúvida a convicção da fé do atacante. É um princípio bíblico a honestidade, como ele mesmo diz. Faça o bem e receberá de volta? Jô parece não ter acreditado muito nessa história na hora. 

Imagine as matérias sobre uma suposta confissão do toque de Jô. O exemplo para as crianças, o legado para um país com tanta desonestidade, a positividade ainda maior da imagem de Jô, juntando o ato de honestidade à sua história de superação, que elevariam até suas supostas chances de ser convocado.

Nada disso vai acontecer. Jô não captou um sinal bem claro lá de cima.

Quem perdeu foi você, Jô. Que trocou mil pontos com a sociedade por três pontos num campeonato; um gol por um legado. Trocou a fé pelo conforto; uma eternidade de devoção e legado por noventa minutos que logo seriam esquecidos – e agora não serão mais.

O ato de Jô, assim como diversos jogos na história do futebol manchados por erros e lances polêmicos, quebra uma importante parte da linda obra de arte feita ao Corinthians neste ano por Deus, que ele próprio tanto louva. E não adianta se desfazer. Afinal, a única coisa que sabemos, de fato, é que Deus sabe de tudo. 

 

Na tarde de ontem, Jô ganhou um jogo. E o que mais?

 

Abs,

Daniel Braune

Comente!

Fechar Menu
%d blogueiros gostam disto: