Será?

De quem são essas cartas?

 

Depois de 2013 e 2014, nunca mais fui o mesmo. Ver o destino desenhando um caminho lindo de encontro ao paraíso estufou minha ingênua esperança. Quando vi toda aquela história se esvaindo para o arquivo morto, foi o fim para mim: a vida não é um filme. Sonhos só existem neles.

 

Desde 2015, caminho vagarosamente, sem esperar nada. Expectativa zero. 
Mas desde o meio do ano passado, assim que acordo, ouço passos do lado de fora de casa. Uma mão empurra o envelope por debaixo da porta todos os dias. Nela constam histórias loucas que me soam mais como ilusão que todas as histórias com minhas ex-namoradas juntas.

Reviravolta após a maior crise financeira da história? Libertadores um ano depois da série B? Folha salarial três vezes menor que a dos rivais e resultados mil vezes melhores? 

Nossa casa uniformizada de alvinegro como os jogadores? Nossos jogadores de sangue pulsando como o dos torcedores? Recebendo, a nível de futebol, salário de operários?

Eu lia cada carta, mas não esboçava reação. Sequer as guardava. Mas quando terminamos em quinto comandados por um interino, oriundo do berço de um dos nossos Deuses, passei ao menos a deixá-las no meu quarto.

As cartas contam a trajetória toda na Libertadores. Goleiro que entra no segundo tempo e vira herói nos pênaltis. Copa do Brasil? Já se inicia com virada com um a menos em campo contra o Sport. No brasileiro, retorna o ídolo camisa 1 como nos velhos tempos logo na primeira partida.

Depois de voltar de BH com a desvantagem, já não me iludia com a partida de hoje. Até que vi um time que não costuma criar, criando trezentas bocas para engolir o Atlético; vi um time formado por ex-jogadores de times médios e pequenos ensinando malícia e estratégia aos experientes do outro lado; ME VI em cada jogador de preto e branco ali presente. Fazem o que eu faria. Jogam como se a derrota fosse a morte e a vitória fosse apenas a obrigação. 3 a 0 numa das maiores máquinas do continente.

Os próximos capítulos? Dependendo do autor, talvez seja a redenção de 2013 contra o grande rival; a justiça por 2007; o final feliz que não veio em 99. Tudo culpa do traicoeiro e impiedoso futebol, mais ilusório que qualquer amor, que qualquer mulher.

Depois de hoje, eu posso não admitir aos demais, mas já quero saber quem é o autor dessas cartas que formam essa saga de cinema? Pode ser Deus, me dizendo que a hora chegou. Pode ser o futebol, brincando de me fazer sofrer novamente.

Víamos o céu tão próximos e paramos no inferno. Sem explicações lógicas, o céu está mais próximo que nunca. Vênus nunca esteve tão perto. Nem na era dos Deuses do futebol em 60, nem na era dos craques de 2007, ou a dos badalados de 2013. A marca da renegação proíbe qualquer limite. Uma trama como essa? Nem nas melhores e mais badaladas séries do momento.

Tenho esses meus palpites de quem possa ser o autor. Sera que é tudo baseado em história real? Ou é o futebol ficção me enganando outra vez?

A próxima carta tem Flamengo, decisão e Copa do Brasil no meio. Eles no nosso caminho novamente. É o tema que mostrará toda a verdade.

Sei que o mundo é frio e cruel. Prefiro não arriscar… será que tem dedo do Armando e do João nessas cartas? Essa letra parece muito com os rabiscos do Garrincha… chega! Não quero cair de novo.

Será que a próxima carta já chegou?

Que venham os próximos capítulos. A história continua.


Daniel Braune

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