Tive um sonho

O sonho que eu tive parecia mais real do que o sonho que vivemos em mundo real. 
Nele, visitei o céu e ouvi a conversa em uma rodinha de gente que só vestia preto e branco e assistia ao jogo. Viam tudo de cima. Não precisam de TV para ver o globo.
De início, todos só sabiam elogiar o Jair pela obra-prima que ele criou.
O Nilton tava encantado. Queria saber quem era aquele baixinho que vestia a sua camisa e jogava ali na esquerda. 
O Didi não via ninguém na sua função ali, mas sorria muito também. Tinham quatro se matando pela camisa que se acostumara a ver ser tão destratada.
Na hora do gol, o Saldanha se orgulhou do xará. “Que categoria, companheiros. E que time. Isso sim é Botafogo. E tem emissora que ainda prefere não mostrar! Jornalismo esportivo não é mais como nos meus tempos”.
– Esse João aí não é só mais um não hein? – Garrincha soltava essa pela primeira vez só depois de morto.*
“Pernas de pau” – sussurrava Heleno de Freitas. De relance, deu pra ver um sorriso de canto de boca dele. No fundo, Heleno, muito antes do si próprio, amava o Botafogo. Estava delirando por dentro ao ver os jogadores amando o Botafogo – e o Botafogo sendo respeitado.
Armando Nogueira não se encontrava. Estava em casa, trancafiado, escrevendo as crônicas que só poderei ler quando subir. Até o tricolor Nelson Rodrigues disseram que tava dando pitaco! E pro Armando estar tão concentrado, é porque vinha coisa boa dali…
Ao fim do jogo, fui dar uma volta. 
Encontrei minha avó, de mãos dadas com o vovô, a quem pude finalmente conhecer. Disse que lá no céu se sente a positividade e a energia através das emoções. A turbulência era enorme. As coisas estavam realmente acontecendo. O Botafogo estava finalmente no caminho certo.
Encontrei com Deus. Num relance ansioso, perguntei o óbvio.
“Continue acreditando”.
Interpretando, acho que obtive a resposta. Não posso falar qual é. Te digo em novembro.
Por fim, acordei. Ou será que não? 
O sonho continua. E que eu continue achando que é um sonho. Nada falha nos sonhos. Deixo pra Deus me acordar na hora certa.
*Garrincha não chamava seus marcadores de João, isso é algo inventado por cronistas. Mas vale a metáfora. Segue o jogo.
Daniel O. Braune

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